sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Religiões africanas III - Kitábu


O mestre Nei Lopes, em seu livro Kitábu, coloca alguns conceitos referentes as concepções filosóficas que norteiam a cosmovisão africana. Vou listar alguns conceitos coletados e "traduzidos" por este intelectual da cultura popular brasileira, que estes sirvam como estímulo para leitura deste, fundamental, livro.


I - O Universo visível e o invisível
O universo visível é a camada externa e concreta de um universo invisível e vivo constituído por forças em perpétuo movimento. No interior dessa vasta unidade cósmica tudo esta lifgado, tudo é solidário. No universo não existe nem grande nem pequeno e , sim, a harmonia entre coisas de tamanhos diferentes. As relações de grandeza não têm nenhum sentido, porque não acrescentam nem diminuem nada.


II - O tempo: passado, presente e futuro
O ser humano tem de acreditar na existência simultânea do passado, do presente e do futuro e orientar seu tempo dentro da harmonia dessas três variantes. O conceito de tempo linear é uma ilusão e a materialidade, uma miragem. O conceito de tempo, então, é determinado mais pela opção existencial do ser humano do que por fatores raciais ou geográficos.


III - O Ser Supremo
O ser supremo é o criador de todos os seres e coisas. Ele está muito distante do ser humano e só é acessível por mneio de divindades secundárias. Tanto o Ser Supremo quanto as divindades, os antepassados e os seres humanos, enfim, tudo o que existe no universo, interage em obediência a regras extremamente precisas por meio de sua respectiva força vital.


IV - Força Vital
Todos os seres do Universo têm sua própria força vital, e esta é o valor supremo da existência. Possuir maior força vital é a única forma de felicidade e bem-estar. A morte, as doenças, as degraças, o aborecimento, o cansaço, a depressão, todo o sofrimento, enfim, é consequência de uma diminuição da força vital, causada por um agente externo dotado de força vital superior. O remédio contra os sofrimentos é, portanto, reforçar a energia vital, para resistir às forças nocivas externas.


V - A palavra
A palavra falada, além de seu valor fundamental, possui um caráter sagrado que se associa à sua origem divina e às forças ocultas nela depositadas. A tradição oral, que não se limita aos contos e lendas nem aos relatos míticos e históricos, é a grande escola da vida, recobrindo e englobando todos os seus aspectos. Nela, o espiritual e o material não se dissociam. A transmissão oral do conhecimento é o veículo do poder e da força das palavras, que permanecem sem efeito em um texto escrito.

O conhecimento transmitido oralmente, pelo Verbo atuante, tem o valor de uma iniciação, que não está no nível mental da compreensão, porém na dinâmica do comprtamento. essa iniciação é baseada em reflexos que operam no raciocínio e que são induzidos por impulsos nascidos do fundamento cultutal da sociedade.

A palavra é força. O Verbo é a expressão por excelência da força em sua plenitude. sendo agente mágico por excelência e grande transmissor de força, a palavra não pode ser usada levianamente.


Qualquer um que queira entender o pensamento africano deve recorrer ao mestre Nei Lopes e a sua obra.



Frases

“Os homens aceitam a mudança apenas na necessidade e vêem a necessidade apenas na crise.”

Jean Monnet

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Senhores da Guerra

Atendendo aos pedidos dos alunos, segue o curta metragem sobre a guerra do Iraque.

video

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Intolerância religiosa

Ainda influênciado pela marcha contra intolerância religiosa, resolvi reproduzir trechos de um texto do padre Clóvis Cabral, publicado revista história viva.



O Diálogo fundamental


Muitos são os pontos que uniram historicamente o catolicismo com as religiões afro-brasileiras. Para nós, sacerdotes, religiosos e militantes da pastoral afro-brasileira, travarmos um diálogo com essas religiões é fundamental, já que elas são fruto da experiência da negritude. E o ponto de contato entre a Bíblia e a negritude é a postura permanentemente rebelde dos homens e mulheres do povo de Deus , do povo da Bíblia. A mesma rebeldia estampada nos grafites dos muros das nossas cidades-favelas, gritada poeticamente pelos cantores de rap e entoada em forma de malembe pelas Ialorixás, denunciando todas as formas de intolerância religiosa que, demonizando as religiôes de matrizes africanas, enfraquece o processo de empoderamento das comunidades negras e populares.(...)

O Pontifício Conselho para o diálogo Inter-religioso e a Congregação para Evangelização dos povos publicaram, na Festa de Pentecostes de 1991, um Documento do Magistério Oficial da Igreja Católica intitulado Diálogo e Anúncio ( DA). Esse documento tem por objetivo, desenvolver de maneira mais aprofundada o ensinamento da encíclica " A missão do Redentor"(RM), sobre a relação entre o diálogo inter-religioso e o anúncio do Evangelho. nesse documento, o Diálogo Inter-religioso é definido como " o conjunto das relações inter-religiosas, positivas e construtivas, com pessoas e comunidades de outros credos para um conhecimento mútuo e um recíproco enriquecimento, na obediência à verdade e no respeito à liberdade"


O documento parte de um princípio pedagógico: nós católicos "devemos nos aproximar sensivelmente de outras tradições religiosas, porque elas encerram valores espirituais e humanos (e por isso) exigem respeito da nossa parte"


O diálogo requer uma atitude equilibrada de ambas as partes. Não devemos ser demasiadamente ingênuos nem hipercríticos, mas abertos e acolhedores. Há que ter vontade de se empenhar em conjunto, a serviço da verdade, e ter a prontidão de se deixar transformar pelo encontro. Isto não significa que ao entrar em diálogo coloquemos de lado nossas próprias convicções religiosas. Longe de nos enfraquecer a fé, o diálogo verdadeiro a torna mais profunda. Para dialogar, é preciso ter muita paciência. As pessoas se pertencem. A exclusão do " outro", simplesmente porque o outro é diferente, é um pecado para os católicos. Nas comunidades-terreiros, o primeiro princípio mais apreciado da vida em comum é o de incluir e não excluir. O ser humano não é só força vital (axé), é muito mais que isso, é força vital em participação.


Neste século, as comunidades de origem negra, todas elas ( terreiro de candomblé, batuques, xangô....)têm desempenahdo esta visão de cidadania, justamente por isto, são atacadas violentamente. De fato, as religiôes afro-brasileiras e suas comunidades religiosas têm sido, ao longo da nossa história, as vítimas preferenciais da intolerância religiosa. Quem as persegue, quem as ataca, quem as sataniza, quem as desqualifica, sabe exatamente o que esta fazendo. Sabe que as destruindo, destrói o coração de um modo de viver. Sabe que elas são as guardiãs da cosmovisão afro-brasileira, espaços vitais que, ao longo dos séculos, têm a possibilitado a sobrevivência com dignidade das populações negras deste país. (...)
pe. Clovis Cabral é teólogo e educador popular

Marcha em Defesa da Liberdade Religiosa




No último domingo na praia de Copacabana, o Rio de Janeiro assitiu a passeata em defesa da liberdade religiosa, marco importante na luta pela diálogo inter-religioso. Infelizmente, não compareci ao evento. Assitindo as matérias nos telejornais, a declaração do pastor presbiteriano Marcos Antônio Amaral me chamou atenção. Vou tentar reproduzir o diálogo entre o pastor e a jornalista.


Jornalista - para o pastor presbiteriano estar aqui ( na passeata contra a intolerância) foi um exercício de tolerância

Marcos - É um desafio pessoal. Estar dialogando com as religiôes afro é dialogar contra os meus fantasmas interiores, os ensinamentos que desde do berço recebi, sempre demonizavam toda expressão cultural religiosa (afro).

Jornalista - tá dando para mudar de opinião?

Marcos - dá um sorriso, meio constrangido, meio deslumbrado com o novo, mas certamente feliz e responde: É muito rico estar aqui.


Que todos aqueles, que um dia aprenderam a intolerância, como regra, também possam se enriquecer como o pastor Marcos.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Religiões na África parte II

Zulus da África do Sul
Segundo Leo Frobenius, a fundação do reino do Zimbabwe está ligada aos ancestrais bantos vindos do norte. Num mito karanga, a realeza sagrada realizava o equilíbrio dos contrários:o calor e a umidade, simbolizados pelas princesas da vagina úmida e pelas princesas de vagina seca. As primeiras deviam copular com a grande serpente aquática, às vezes chamada serpente arco-íris, que é um ser sobrenatural presente em muito povos da áfrica ocidental e meridional. As princesas de vagina seca eram as vestais que alimentavam o fogo ritual. Em tempos de seca, sacrificava-se uma princesa de vagina úmida para obter-se a chuva.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Religiões na África

Essa postagem é a primeira de uma série sobre religiões africanas. Em verdade, vou reproduzir curtos textos de Mircea Eliade, sempre grafando as discordâncias. Iniciando com a África Ocidental, excluindo o caso dos povos Iorubás, pois quanto a este vale verificar ifabiyi@blogspot.com.



Visão de mundo dos Bambaras e dos Dogons do Mali

Nove populações (dogons, bambaras, ferreiros, kurumbas, bozos, mandigas, samogos, mossis, kules) vivem no mesmo substrato metafísico, se não religioso. Têm em comum o tema da criação por um verbo inicialmente imóvel, cuja vibração vai determinando aos poucos a essência e, depois, a existência das coisas; o mesmo ocorre com o movimento em espiral cônica do universo, que está em extensão constante.

Na cosmogonia dos dogons, o universo e o homem são criados a partir de uma vibração primordial que procede, em forma helicoldal, de um centro e cujo impulso é dado por sete segmentos de diferentes comprimentos. O verbo estabelece uma aproximação entre o homem e seu Deus, ao mesmo tempo que uma ligação entre o mundo objetivo concreto e o mundo subjetivo da representação. Parir a palavra não é uma operação sem risco, pois ela rompe a perfeição do silêncio. O silêncio, segredo que se cala, tem valor iniciático que caracteriza a condição original do mundo. No princípio, não havia necessidade de linguagem, pois tudo o que existia estava integrado numa palavra inaudível, um sussuro contínuo.

E ainda dizem que o pensamento africano é atrasado....






Frases

Eu simplesmente adoro boas frases, pessoalmente, sem muito sucesso, tento criar frases impactantes. Esse será o primeiro de muitas postagens com frases de famosos e de anônimos.


" O BRASILEIRO NÃO TEM MEDO DO FIM DO MUNDO. TEM MEDO DO AMANHÃ"

Jean Delumeau, historiador francês.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Um oceano de plástico

Pode parecer mentitra, ficção científica, alarmismo, entretanto é a mais pura verdade - TEMOS UM MAR DE PLÁSTICO.

No meio do oceano Pacífico existe uma verdadeira sopa de plástico, toneladas e mais toneladas deste material estão acumuladas num ponto do oceano. É a maior concentração de lixo no planeta, o plástico se acumula em função do sentido das correntes marinhas atuantes na região, criando um vórtice. São 1000 quilometros de extensão com 10 metros de profundidade, de puro plástico, o navios encontram dificuldades para atravessar a área.




Será que ainda dá tempo de salvar algo?


 
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