segunda-feira, 29 de junho de 2009

Economia Brasileira - uma comparação

A tabela fala por si.....

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Racismo, preconceito e o apartheid

No ano de 2005 adquiri no sebo de dois grandes amigos um livro indicado por eles sobre o infame regime do Apartheid. Ao vender-me o livro eles alertaram-me quanto a existência de anotações do antigo dono ao longo da obra. O Livro é bom, mas o fato que me mais impressionou foram os comentários feitos pelo antigo dono, que revelou-se um resoluto racista pelo teor de suas anotações. Mostrei o texto ao amigo Diego Moreira, que assina comigo esse texto, e fui estimulado por ele a escrever sobre essa questão. Convoquei-lhe às canetas e o resultado é o texto que publicamos agora.


O apartheid: poder e falsificação histórica, é o título do livro escrito pela francesa Marianne Cornevin e editado pela Unesco em 1979. O Livro conta o absurdo do apartheid, seu funcionamento e suas origens. Ao longo do texto a autora faz pesadas e fundamentadas criticas ao regime do que imperou na África do Sul até 1990. A obra reflete as criticas mundiais e o início do movimento internacional que levou ao fim deste regime execrável. O antigo proprietário do livro comprado no sebo tinha um hábito, comum a muitas pessoas, de comentar as idéias expostas no texto original, criticar e argumentar com o autor em anotações no final das páginas. O verme (vamos nos referir ao individuo sempre por este adjetivo) era, definitivamente, um imbecil, um preconceituoso e um defensor ardoroso da segregação racial. Certamente, uma mentalidade obtusa, encantada pelos pressupostos de teorias pseudo-científicas como o determinismo geográfico e o darwinismo social. Para provar isso vamos reproduzir alguns trechos do livro e os respectivos comentários feitos por ele.

O primeiro comentário, feito logo na capa do livro, é o seguinte: Esta é uma obra absurda pelo contra-senso de seus argumentos pretendendo condenar os atos de um povo que conquistou seus direitos com o prórpio sangue. Esta autora deve ser uma fanática comunista, ou uma liberal vendida aos interesses do comunismo internacional, que no momento luta para conquistar as riquezas do sul da África, usando a bandeira dos direitos humanos da negritude. Felizmente não passa de um sonho, um sonho tolo.

Na contra-capa o verme faz o seguinte comentário: Sistema muito usado na leitura periódica da Enciclopédia Soviética - reescrever a história de acordo com os interesses do momento. Aliás já estão aplicando este sistema aqui no Brasil, na tentativa de reescrever nossa história, maculando a memória de nossos antepassados - tal como Domingo Jorge Velho - o vencedor da "republica" dos Palmares. Ali ele liquidou a negrada que tentava se arvorar em fundadores de uma republica negra. Que os brancos, orgulhosos de sua condição como tal, não se deixem engodar por tais idiotices. No primeiro capitulo o livro mostra, através de dados e informações arqueológicas, o óbvio: que os negros ocupavam o sul da África muito antes dos brancos europeus chegarem. Na página 79 o verme faz o seguinte comentário: Muito bem, admitamos que os negros tenham chegado primeiro. E dai? Os nosso índios também estavam aqui antes de nós, mas a terra foi ocupada pelos nossos antepassados brancos por direito de conquista. E quem vai contestar esse direito? O mesmo se aplica a África do Sul. O verme desqualifica a autora com um comentário que só não omitimos para que todos tenham noção de como, verdadeiramente, trata-se de um estúpido. A besta-fera diz o seguinte: - Essa autora como uma boa francesa, naturalmente, deve dormir com algum negro. As Mulheres francesas têm dado ao mundo inúmeros exemplos desta tendência a deitar com negros, faz parte da sua mente devassa.

Na página 140, no último paragráfo a autora diz, com absoluta razão e quase profeticamente, o seguinte: Os ventos da história mudaram desde Soweto. Os brancos deixaram de ser os senhores absolutos da história da áfrica do Sul. Embora o poder governamental pareça assegurado por muitos anos, o negros já ergueram a cabeça. Afastaram o sentimento de inferioridade que constituia sua fraqueza. A pressão internacional apenas acelerá a sua emancipação inevitável. Então o verme escreve o seu último comentário: Será mesmo? Isto é o que desejam, mas não o que será. E, então, ficará provado inexoravelmente a superioridade dos brancos sobre os negros. Não é número que conta, mas o valor, como sempre aconteceu os brancos sempre serão os vencedores. Esta autora é uma sonhadora (...) Os negros ergueram a cabeça? Pois é, ergueram para que seja mais fácil decepá-la. Os negros jamais conseguirão dominar a África do Sul. Os brancos da Rodésia eram somente 250 000 e davam surras memoráveis nos negros, que eram 6 milhoes. De uma vez, apenas 72 brancos atacaram 5000 negros e mataram 1200, tendo somente do seu lado 5 feridos. Agora, imaginemos 5 milhoes de brancos, dispostos a tudo, contra 17 milhões de negros. Será ou não será uma sopa?

Para nossa felicidade, a história nos mostrou que o verme estava errado!!!!

Ao ler esses comentários, quisemos não acreditar no absurdo das suas idéias. Mas o que nos assustou, o que nos arrepiou, foi saber que o antigo dono (o verme), era um juiz aposentado, morador do bairro da Tijuca, no Rio de janeiro, sujeito de classe média alta. Por ocasião do seu falecimento a família vendeu para diversos sebos a sua biblioteca, e foi assim que o livro chegou até nossas mãos. É inevitável refletirmos sobre qual teria sido o destino de negros que tenham tido o azar de serem julgados em qualquer tribunal do país por este crápula. Publicamos este comentário afim de mostrar como o preconceito e a intolerância ainda existem. Para que não restem dúvidas e para provar que essa história absurda não é uma inveção de nossas férteis mentes, colocamos as imagens das anotações feitas pelo verme. Veja, você, leitor, com os próprios olhos, as imagens que estão no final do nosso texto. Pensando bem, cremos que os vermes cumprem com dignidade as suas funções no processo de degeneração da matéria orgânica. Este racista obtuso, que certamente julgou muitos homens pela cor da pele, não é merece a alcunha que lhe demos. Seria-lhe mais adequado o título de sub-verme.

Algumas imagens do Livro - com os comentários do verme ( só para que não restem dúvidas quanto a veracidade do nosso relato)



Se alguém desejar ver o livro é só avisar

Claudio Falcão e Diego Moreira

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Mudanças no centro do Rio


RIO - Depois de 65 anos, a Avenida Presidente Vargas volta a ter sinal verde para investimentos. Inaugurada em 7 de setembro de 1944 para comportar a expansão da então capital federal, de acordo com o professor de Geografia Cultural da Uerj João Batista Ferreira de Melo, a via finalmente se consolida como um eixo de crescimento da cidade. E isso ocorre sobretudo no trecho que era mais abandonado, entre a Central do Brasil e a prefeitura. Além da nova estação de metrô, que deve ser inaugurada em março de 2010, o local ganhou novos prédios, universidades e um moderno centro de convenções.


Caso sejam concretizados os investimentos anunciados para a Avenida Francisco Bicalho, que poderá receber uma estação do trem-bala Rio-São Paulo, e a revitalização do Maracanã para a Copa de 2014, com obras de urbanização que uniriam o complexo esportivo à Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, a cidade dará um importante passo na direção da Radial Oeste. De acordo com especialistas, isso valorizará uma região que já conta com boa infraestrutura urbana.


- O crescimento rumo à Radial Oeste dinamiza a Cidade Nova e é bom para reforçar a centralidade da região. Isso é positivo e pode gerar novos investimentos em recuperação da área, cuja ocupação deve continuar sendo perseguida. É importante aproveitar a Copa do Mundo e transformar os trens em metrô - diz o arquiteto, professor da UFRJ e ex-secretário municipal de Habitação, Sérgio Magalhães.

O presidente do Instituto Pereira Passos, Felipe Goes, é ainda mais otimista. De acordo com ele, esse é o início da revitalização não só deste eixo como também da Zona Portuária e de São Cristóvão.

- O trem-bala será absolutamente transformador para a região. Aquela área será o local de chegada do trem, o lugar da cidade mais próximo de São Paulo. A Copa também será marcante para a revitalização de São Cristóvão - prevê.

Já o professor e pesquisador do Observatório Urbano da Uerj Cezar Teixeira Honorato lembra que o transporte continua sendo um desafio para o desenvolvimento da região: - O lado positivo da ocupação da Presidente Vargas é o aproveitamento de uma área que já conta com água, luz, telefone, transporte. O ruim da história é o trânsito, que só vai piorar e pode dar um nó, com consequências em Niterói, na Zona Sul e na Zona Norte.

A revitalização da região conta com o apoio da iniciativa privada. A construtora Racional foi responsável pelas obras do centro de convenções e pelo edifício que será ocupado pela SulAmérica. Neste momento, está erguendo a Torre Sul, ao lado do Centro de Convenções SulAmérica, com nove pavimentos e um total de 9.056 metros quadrados de área locável para escritórios. A obra gerou cerca de 500 empregos. O investimento total, incluindo a restauração do solar, a construção do centro de convenções e das duas torres, é de R$ 200 milhões.

- Achamos estratégico ter fácil acesso para as zonas Norte e Sul e o Centro. A SulAmérica acredita muito no Rio e gostamos da ideia de inovar e ajudar a desbravar. Já começamos a mudança para a nova sede, que representa mais 2.500 pessoas circulando na região. Estamos esperançosos na revitalização daquele espaço - afirma Maria Helena Monteiro, vice-presidente de Recursos Humanos e Administração da SulAmérica.

Um Mito Iorubá

O Professor e Babalawo Adilson de Oxalá publicou, em 2005, pela Palas um livro com mitos africanos, mas especificamente mitos Iorubás sobre Exu. No intuito de estimular a leitura deste livro vou reproduzir um dos mitos publicados pelo autor. Esta também é uma singela forma de agradecer a maravilhosa entrevista que ele concedeu a mim e ao meu irmão Rogério Athayde.


O Sapo e o Hipopótamo

Houve uma época em que o hipopótamo era o rei de um grande lago existente nas margens de um rio, mas sofria grande oposição por parte de sapo.

- Não é possível! - reclamava o batráquio. - Não vejo justiça no fato de o hipopótamo ser rei só porque é muito maior que todos os animais do lago. Nem o crocodilo pode competir com ele em tamanho e força, mas nem por isso é menos caapz de reinar!

Se fôssemos adotar um critério justo, haveriamos de coroar um novo rei, não pela avaliação do seu tamanho, mas sim por sua inteligência e versatilidade e, com toda a certeza, uma vez utilizados estes critérios seria eu o coroado!

A política estabelecida pelo sapo encontrava ressonância em alguns segmentos da comunidade e, desta forma, a ordem começou a ser ameaçada.

Diante do impasse criado, os bichos resolveram, em assembléia, nomear um árbitro absolutamente neutro, para decidir quem seria o rei. e o escolhido para a delicada missão não foi outro senão Exu.

No dia da decisão, apresentaram-se os candidatos dianted e Exu e cada um expôs os motivos pelos quais se achava amis bem habilitado para o cargo e, por questão de hierarquia, o primeiroa discursar foi o hipopótamo.

- Acho que sou o mais indicado para o cargo, porque sou pacífico, mas, se for necessário, poderei manter a ordem, fazendo valer a minha força e o meu tamanho. Não acredito que exista aqui qualquer um que possa desafiar-me para uma luta corporal! Sempre mantive a paz no lago e, até hoje, não precisei apelar para a violência e, por este motivo, devo continuar a reinar sobre os meus vizinhos.

Chegara a vez do sapo discursar e, pomposamente trepado sobre um grande crocodilo que apoiava sua candidatura, deu início à sua fala:

- Senhoras e senhores, moradores do lago! Digníssimo Elegbara Senhor Exu Elegbara, mui digno árbitro desta pendência!

Exu, sentado num velho tronco caído numa das margens, olhava divertido a verborréia do bufão.

- De há muito... continuou o sapo - ... venho tentando mostrar a todos o quanto de inútil tem sido o hipopótamo como rei de nosso lago! O que tem feito em benefício de nossa comunidade? O que tem feito, ao menos, em seu próprio benefício? nada! Absolutamente nada!

Tudo que esta montanha decarne sabe fazer é cochilar, submerso, e, vez por outra, bocejar, escancarando a enorme bocarra, o que, sem dúvida, não só assusta, como representa um garnde risco para os pequenos animais. A situação é grave e exige uma mudança imediata!

Precisamos de alguém que reine com inteligêcia e sabedoria! E esre alguém sou eu, o sapo! Não pensem senhores que não sou capaz de manter a paz, se necessário for, usando força! quero revelar a todos, neste momento, um segredo que guardo há muito e muito tempo, por pura humildade. se quiser, e quando quiser, posso aumenatr de tamanho, ficando até maior e amis forte que o meu opositor! Se não o faço é para não humilhar os outros animais, nem ocupar um espaço exagerado como faz o hipopótamo!

Exu, que a tudo ouvia com atenção, diante da deslavada mentira do político, resolveu intervir:

- Neste caso, amigo sapo, deverás ser coroado rei. Já provaste, através do belíssimo discurso com que nos agraciaste, ser mais inteligente que o hipopótamo. Resta agora provar que, como tu mesmo disseste, és capaz de ficar maior que teu opositor. Vamos, brinda-nos também com uma demonstração! Tenho certeza de que és capaz de fazê-lo!

Embriagado de vaidade o sapo inspirou todo o ar que pôde e, inflando, aumentou consideravelmente de tamanho.

- Que tal estou? - perguntou a exu.

- Bem maior -respondeu o árbitro - Mas muito longe do amanho do hipopótamo.

- Mais uma grande inspiração e, um pouco maior, o sapo voltou a solicitar uma nova avaliação:

- E agora, que tal estou?

- Maiorzinho, mais não o suficiente! respondeu Exu, que, com toda a ceteza, já havia elaborado um plano para desmoralizar o batráqui - Por que não puxas mais ar?

Num esforço sobrenatural o sapo inspirou mais uma grande quantidade de ar e, com sensação de que os olhos iriam saltar-lhe das órbitas, procurando reter, dentro de si, a enorme quantidade de ar, indagou:

- E agora?

- Quase! respondeu Exu - tenta de novo! mais um pouco de ar e serás o rei do lago.

Os animais que assistiam à patética cena não entendiam nada. Exu afirmava que o sapo estava quase do tamanho do hipopótamo, mas todos viam que nem sequer atingira a altura de seus joelhos!

E o sapo, num garnde e derradeiro esforço, puxou, paar dentro de si, toda a quantidade de ar que pôde! Pou!!!! Foi o que se ouviu em seguida. O sapo havia explodido como um balão e seus pedaços voaram em todas as direções! Estava terminada a disputa!

Chocados com o que viram, os animais aclamaram o hipopótamo seu legítimo rei e compreenderam que cada um nasce com seu próprio destino e deve conformar-se com suas limitações.

E é desta forma que Exu castiga aqueles que querem ser o que não podem. Força-os a inflar-se com o ar da vaidade, até que explodam e morram sem conseguir realizar seus delírios de grandeza.

( Uma vez conheci um grande sapo... que explodiu em sua arrogância. Por dentro era só ar, no fundo era só ar... já que vazio ( e pequeno em sua moral) ele sempre foi. Um Cubano uma vez me disse: - Quando a verdade chega a mentira se envergonha e se vai.)



Provérbio Africano (Iorubá)

"Nós que hoje estamos sobre a terra ...
caminhamos sobre os ombros dos nossos antepassados."

sábado, 22 de novembro de 2008

O crescimento brasileiro

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) analisou o desenvolvimento de um grupo de10 países, o Brasil só supera África do Sul e Argentina em crescimento econômico de 1975 a 2005.

Nosso PIB per capita cresceu 35,6%, nesses 30 anos, e perdeu para o crescimento de China (896%), Índia (174,3%), Finlândia (88,5%), EUA (88,2%), Espanha (85,3%), Alemanha (79,8%) e México (49%).

Apesar do fraco crescimento, o país triplicou o consumo de energia elétrica. Já a China foi mais eficiente: cresceu quase dez vezes, mas aumentou o consumo de energia oito vezes. A Finlândia com PIB quase dobrado passou a consumir três vezes mais energia.

No quesito investimento na formação de capital fixo entre 1995 e 2004, a Rússia também entrou no grupo em análise, e o Brasil caiu para a nona posição, superando novamente apenas Argentina e África do Sul.

Esses números fazem parte do Comunicado da Presidência nº 15, "Desenvolvimento e Experiências Internacionais Comparadas", apresentado hoje pelo pesquisador Milko Matijascic, que coordenou o estudo. O painel traz dados sobre competitividade, eqüidade e sustentabilidade.

Em dez dos 11 países, as doenças cardiovasculares e os diversos tipos de câncer são as principais causas de morte. Com exceção da África do Sul, onde dispara a Aids. Na Índia, destacam-se as doenças parasitárias e infecciosas. O Brasil é o primeiro em mortes violentas; a Alemanha, a última.

fonte : site do IPEA

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Congo - Conditional Critical: voices from the war in eastern Congo


Assistam - http://www.condition-critical.org/ é fundamental pelas belas fotos e pela temática.
No dia da consciência negra, onde comemoramos os avanços na questão do negro e lembramos o quanto ainda é necessário caminhar em busca da igualdade. Esse curta metragem é extremamente pertinente.
Ano passado, nesta mesma data, escrevi o seguinte: http://geogordo2.blogspot.com/2007/03/dia-20-de-novembro.html
A minha identidade com a África e suas tradições é cada vez mais forte e a dor que me toca pelo que ainda acontece lá, é tão forte quanto a que sinto pelo que acontece aqui.


OBS : Mauricio - Muito Obrigado.
Salve Oduduwa ( nosso pai ancestral), Salve Zumbi; Salve João Candido; Salve Iya Nassô, Salve Mãe Menininha, Salve Pierre Fatumbi Verger, Salve Luis Carlos da Vila, tantos outros.. negros, mulatos e mestiços, enfim, brasileiros que se reconhecem como frutos de uma rica raíz africana.

A história das Coisas - a questão ecológica






Hoje já é consenso que a crise ambiental e seus efeitos transcedem as fronteiras nacionais. As diversas conferencias ambientais evidenciaram a insustentabilidade do modelo de desenvolvimento adotado por todas as nações e defendidas pelas potências centrais. O desenvolvimento sustentável, então, surge como alternativa que busca, a superação da pobreza; a satisfação das necessidades básicas de alimentação, saúde, habitação; a busca por uma matriz energética que privilegie fontes renováveis;o uso mais equilibrado dos recursos; etc.


A pobreza e a degradação ambiental estão relacionados, a questão ambiental não pode ser dissociada da questão humana/social, são duas faces da mesma moeda. O modelo de desenvolvimento predatório, ecologicamente perverso e politicamente injusto está esgotado, temos que buscar uma nova ética que supere o economicismo que contamina o pensamento contemporâneo sobre o processo de desenvolvimento. A sustentabilidade do modelo de desenvolvimento depende do Estado e não do mercado ( do capital) , este último busca respostas vinculadas as possibilidades imediatas de lucro, o que normalmente se choca com a sustentabilidade. O Estado deve ser o gestor e não o mercado!!!


O nosso entendimento do que é ser desenvolvido deve superar a visão consumista, ou então, estaremos fadados a conviver com a degradação continua de nossas vidas e do nosso ambiente.


Cabe lembrar que a sustentabilidade do desenvolvimento exige, quase por definição, a democratização do Estado e não o seu abandono e substituição pelo mercado.



Sobre o tema assistam - http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E .... simplesmente MARAVILHOSO


domingo, 16 de novembro de 2008

O massacre em Darfur continua


O governo do Sudão continua permitindo a ação dos milicianos da Janjaweed. Quando o mundo vai agir? Nunca? São negros, são muculmanos, são africanos. As suas vidas importam, seus gritos são ouvidos?

Visitem o site da Human Rights Watch e vejam o video sobre Darfur.

http://www.hrw.org/sites/default/files/features/darfur/index.html

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A dor do gigante - a crise financeira internacional


Foi um enorme prazer ler este texto escrito por Rui Alves. Há algum tempo, tento tentado escrever sobre a crise, de forma leve e de fácil entendimento, ao ler este texto percebi que era desnecessário o esforço.


Como começou?

Em economia, dizemos que todas as crises financeiras são precedidas por bolhas. A dessa crise financeira foi uma bolha de crédito. Em 2001, o Federal Reserve, o Banco Central Americano, diminuiu a taxa de juros de 6% ao ano para 1% ao ano, com o objetivo de estimular a economia americana. Esse dinheiro fácil inundou o mercado, dobrou o valor das residências e estimulou as empresas a empréstimos sem créditos e garantias.Por conta disso, as agências de hipoteca americanas (financiamentos imobiliários) passaram emprestar em demasia a pessoas que não tinham como pagar a dívida. Essa medida contava com apoio político, pois atingia camadas mais pobres e incentivava a “moradia popular”. Além disso, esses empréstimos eram vendidos com desconto a bancos e seguradoras.Com o aumento da taxa de juros para conter a inflação, as prestações aumentaram e a inadimplência se elevou bastante. Foi a famosa crise subprime (submerso).


O que aconteceu?Ela atingiu em cheio o coração do sistema financeiro, cada vez mais central no capitalismo. Sem o fluxo normal de crédito, a máquina da economia global ficou asfixiada.Em 2008, as conseqüências desta inadimplência surgiram, inicialmente envolvendo as agências hipotecárias, posteriormente os bancos que compraram papéis dessas agências (bancos de investimento)... Em abril, o Federal Reserve (Fed), resolveu emprestar dinheiro para um dos mais tradicionais bancos de investimento da Wall Street (bolsa americana): o Bear & Stearns. O objetivo era evitar a quebra desse banco. Ele acabou sendo vendido ao J.P.Morgan por uma fração do seu valor.Há alguns dias, o Federal Reserve também “salvou” e assumiu o controle de duas das maiores empresas que garantiam créditos imobiliários no país (Fannie Max e Freddie Max). Depois dessas ‘operações de emergência’, porém, iniciativas semelhantes não ajudaram a evitar a quebra de outro gigante dos bancos de investimento, o Lehman Brothers. Isso resultou na MAIOR FALÊNCIA da história dos Estados Unidos (US$ 600 bilhões em capital).Foi o pânico! Para evitar o colapso total, o Fed foi obrigado a entrar em ação comprando a AIG seguradora (compra de US$ 85 bilhões). E por que a AIG quebrou? Ela oferecera US$ 430 bilhões numa espécie de seguro (credit default swaps – instrumento financeiro muito arriscado lançado pelos bancos americanos para se proteger da inadimplência) para instituições que tivessem para receber seus créditos imobiliários. Com a inadimplência, ficou evidente a busca para receber esse seguro e, com isso, a AIG não teve como pagar.Por último, uma das aplicações americanas de investimento mais seguras (fundo de poupança), definida como money market, anunciou que, pela primeira vez, pagaria a seus investidores menos do que eles haviam investido. Para se ter uma noção, esses fundos de poupança reúnem mais de US$ 3 trilhões de reservas dos americanos. Para se fazer uma analogia, seria como se a poupança no Brasil desse prejuízo.Resumindo: o custo dos empréstimos entre os bancos cresceu 16 vezes nos últimos 18 meses, porque as instituições financeiras não confiam mais uma nas outras e preferem ter dinheiro em caixa. Se os bancos não emprestam dinheiro entre si, também não emprestam para as indústrias, para os serviços e para as pessoas (consumidores). Até que a crise financeira acabe, a economia global não vai se recuperar. Setores considerados motores da economia, como a construção civil e o setor automobilístico, dependem de crédito e atravessam forte desaceleração. Como os Estados Unidos são a maior economia do mundo, a diminuição do consumo de sua população provocará queda nas importações provenientes de países como China, Índia e Brasil.


Como está se resolvendo?


A solução imediata para tentar controlar o incêndio foi lançar um pacote americano para tirar do mercado os papéis sem lastro que contaminam os balanços das empresas financeiras e paralisam o crédito. Esse pacote custará “centenas de bilhões de dólares” ao contribuinte americano.
O objetivo principal nessa situação precisa ser a passagem de confiança ao mercado. Se o pacote americano tiver sucesso, permitirá que a economia volte a respirar e a caminhar. Posteriormente, o governo e as empresas terão de se moldar à nova situação, com padrões mais limitados de financiamento. O sistema terá de excluir suas dívidas e papéis ruins. Todos esses fatores terão de ser acompanhados de perto pelos governantes.
Além disso, pela primeira vez, de forma coordenada, os quinze países da zona do euro, incluindo as duas maiores potências econômicas do bloco - Alemanha e França - lançaram em Paris um pacote de medidas para enfrentar a crise financeira global. Eles vão comprar participações em bancos. Haverá a compra de papéis da dívida e garantia dos empréstimos entre bancos até 31 de dezembro de 2009, praticamente paralisados com a crise de crédito, para assegurar capital e liquidez às instituições financeiras. Outra decisão importante: nenhum país deixará seus grandes bancos falirem.


Como está o efeito no Brasil?


Nos últimos anos, a economia do Brasil tem se solidificado muito, favorecida pelo forte crescimento do setor econômico mundial. É lógico que, piorando o quadro da economia mundial, a situação por aqui vai piorar também.
A maior parte da expansão do PIB (Produto Interno Bruto) vem do mercado interno. Somente cerca de 15% vêm das exportações, área mais afetada pela crise.
No início, os problemas estavam ligados apenas às bolsas (campo financeiro). Nas últimas semanas, a crise começou a contagiar o setor produtivo, atingindo as exportações e o crédito externo.Para atenuar esse problema, o governo, por meio do Banco Central, injetou mais de R$ 36 bilhões na economia para ajudar bancos médios e pequenos que antes buscavam crédito barato no exterior. Considerações finaisPara atravessar um período complicado como este, os especialistas recomendam que os orçamentos familiares sejam mais austeros, com decisões de consumo e de investimento bem pensadas. Segundo eles, é difícil prever por quanto tempo as incertezas vão se estender, mas com um bom planejamento será possível enfrentá-las com menos danos.


Algumas humildes observações:


Haverá aumento da inflação?Os efeitos da crise sobre os preços são controversos. Produtos importados, como bebidas, alimentos, roupas e eletroeletrônicos, provavelmente sofrerão reajustes em função da alta do dólar. Já as mercadorias de fabricação nacional devem ter pouco ou nenhum aumento, porque o crédito ao consumidor está escasseando e a desaceleração da economia reduzirá a demanda. Com isso, provavelmente, o efeito de contaminação da inflação pela valorização do dólar será pequeno, devido ao desaquecimento, à política monetária previsível e à administração das expectativas pelo Banco Central (monitoração da taxa de juros – SELIC).


Devo aplicar na BOLSA DE VALORES?A forte depreciação do mercado acionário tornou muitas ações baratas, na avaliação dos analistas. Dessa forma, o mercado de ações pode ter boas oportunidades para serem garimpadas. O problema é que ninguém pode afirmar até quando a crise internacional seguirá afetando a Bolsa. Portanto, mais do que nunca, o investidor deve lembrar que investir em ações é arriscado. E que o retorno do investimento pode levar um tempo mais longo para se concretizar. Caso você tenha seu dinheiro aplicado na bolsa, o momento é de esquecê-lo e esperar a volta dos padrões normais das ações.


E a minha viagem de final de ano? Neste momento de turbulência, ninguém se arrisca a fazer previsões para o dólar. Por isso, consultores aconselham o turista que estava planejando viagens internacionais a reavaliar a decisão. Se você quer viajar de qualquer forma e ainda não comprou a passagem, deve fazê-lo imediatamente. Segundo os economistas os preços de pacotes tendem a subir. Já a moeda para gastos no destino pode ser comprada em pelo menos três parcelas, o que aumenta as chances de conseguir um preço mais razoável. Dívidas no cartão de crédito devem ser evitadas.
Por último, é importante reforçar que 'os bombeiros' já estão a postos e agora nos resta esperar que o fogo seja completamente apagado, avaliar os estragos e começar a reconstruir outras relações para o mercado financeiro e a economia globais.



Autor: Rui Alves Gomes de Sá é Diretor de Ensino e professor de Física do Colégio pH e do Curso pH.

Obs: Rui, os nossos alunos e a equipe de Geografia agradecem ... risos... "caiu" na prova da UFRJ.

 
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