sábado, 24 de março de 2007

Água, um novo commodity ?

Quando falamos em commodity estamos nos referindo a um produto primário, a exemplo dos produtos alimentícios e minérios. Que são comercializados pelo investidores, normalmente por meio de contratos a termo (contratos futuros) nas bolsas de mercadorias. Temos uma grande variedade de produtos que se encaixam nesta categoria, como aves, ovos, carne, aveias, a soja e os seus subprodutos, produtos florestais, o açúcar, café, minerais, metais, trigo, milho e outros. Em breve, a redução da disponibilidade de água potável tende a fazer com que este bem essencial se encaixe nesta categoria, aumentando a sua importância econômica e geopolítica. Se a nossa forma de utilização dos recursos hidrícos se mantiver, a água potavél será o recurso natural mais disputado no planeta.

Uma grande quantidade de países já vivem problemas de escassez relativa e absoluta, com destaque para os países africanos do Magreb e os estados do Oriente Médio ( onde o petróleo é a principal riqueza, seguida pela água.... até quando?). Se não mudarmos urgentemente a nossa relação com a água, além dos impactos ambientais e sociais que advém do nosso modelo de desenvolvimento estaremos fadados a assistir o aumento da pressão política e dos conflitos envolvendo a água em nosso planeta. A disputa pela água e a sua importância estratégica já era uma realidade dos Estados desde o inicío do seu desenvolvimento social. O sociológo alemão de orientação marxista, Karl Wittfogel foi um pioneiro ao discutir e refletir sobre a hidropolítica. Segundo ele, o domínio da água constitui um elemento essencial do poder: aquisição de água potável, irrigação de culturas e navegação fluvial são funções em torno das quais fortes autoridades coletivas estão organizadas, e mesmo a base de grandes Estados.Sendo assim, se o ritmo do desperdício, do consumo e da destruição dos mananciais se mantiver, vamos assistir a uma disputa mercadológica (o Banco Mundial - BIRD - já incentiva a gestão privada da água, que segundo este organismo deve ser feita por grandes coorporações) e, inevitavelmente, seguida ou acompanhada de confrontos políticos-militares. Este bem coletivo que normalmente nos referimos como fonte da vida, vai se tornar também a origem da morte.

ONU divulgou, em 2002, alguns dados assustadores sobre a questão dos recursos hídricos:


  • 1bilhão e 100 milhões de pessoas não têm acesso à água potavel, o que corresponde a um sexto da população mundial;
  • 2 bilhões e 400 milhões de pessoas não têm acesso a serviço de saneamento básico adequados, isto equivale a 40% da população mundial;
  • a cerca de 6 mil crianças morrem diáriamente devido a doenças provocadas pela água insalubre ou relacionadas a saneamento básico e higiene deficientes;
  • a água insalubre e o saneamento básico deficiente causam 80% das doenças no mundo em desenvolvimento. Mais de 250 milhôes de pessoas sofrem dessas doenças todos os anos;
  • no séulo XX, o consumo de água aumentou a um ritmo duas vezes mais rápido que o crescimento demográfico;
  • em muitas regiões, a utilização excessiva de águas subterrâneas para beber e para feitos de irrigação, provocou a queda, em dezenas de metros, do nível dessas águas, o que obriga as pessoas a consumir água de baixa qualidade.

Um inenarrável abraço

2 comentários:

Julio César de Cisneros disse...

Me parece muy interesante su sensibilidad al conocimiento del agua como recurso de poder. Yo estoy completamente de acuerdo con esa perspectiva.
Creo que debemos considerar la hidropolítica como parte de la investigación de estrategias políticas para la seguridad de los pueblos y el ejercicio de la justicia social.

Claudio Falcão disse...

Júlio - esse é o caminho..esse é o caminho

 
eXTReMe Tracker