sábado, 22 de novembro de 2008

O crescimento brasileiro

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) analisou o desenvolvimento de um grupo de10 países, o Brasil só supera África do Sul e Argentina em crescimento econômico de 1975 a 2005.

Nosso PIB per capita cresceu 35,6%, nesses 30 anos, e perdeu para o crescimento de China (896%), Índia (174,3%), Finlândia (88,5%), EUA (88,2%), Espanha (85,3%), Alemanha (79,8%) e México (49%).

Apesar do fraco crescimento, o país triplicou o consumo de energia elétrica. Já a China foi mais eficiente: cresceu quase dez vezes, mas aumentou o consumo de energia oito vezes. A Finlândia com PIB quase dobrado passou a consumir três vezes mais energia.

No quesito investimento na formação de capital fixo entre 1995 e 2004, a Rússia também entrou no grupo em análise, e o Brasil caiu para a nona posição, superando novamente apenas Argentina e África do Sul.

Esses números fazem parte do Comunicado da Presidência nº 15, "Desenvolvimento e Experiências Internacionais Comparadas", apresentado hoje pelo pesquisador Milko Matijascic, que coordenou o estudo. O painel traz dados sobre competitividade, eqüidade e sustentabilidade.

Em dez dos 11 países, as doenças cardiovasculares e os diversos tipos de câncer são as principais causas de morte. Com exceção da África do Sul, onde dispara a Aids. Na Índia, destacam-se as doenças parasitárias e infecciosas. O Brasil é o primeiro em mortes violentas; a Alemanha, a última.

fonte : site do IPEA

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Congo - Conditional Critical: voices from the war in eastern Congo


Assistam - http://www.condition-critical.org/ é fundamental pelas belas fotos e pela temática.
No dia da consciência negra, onde comemoramos os avanços na questão do negro e lembramos o quanto ainda é necessário caminhar em busca da igualdade. Esse curta metragem é extremamente pertinente.
Ano passado, nesta mesma data, escrevi o seguinte: http://geogordo2.blogspot.com/2007/03/dia-20-de-novembro.html
A minha identidade com a África e suas tradições é cada vez mais forte e a dor que me toca pelo que ainda acontece lá, é tão forte quanto a que sinto pelo que acontece aqui.


OBS : Mauricio - Muito Obrigado.
Salve Oduduwa ( nosso pai ancestral), Salve Zumbi; Salve João Candido; Salve Iya Nassô, Salve Mãe Menininha, Salve Pierre Fatumbi Verger, Salve Luis Carlos da Vila, tantos outros.. negros, mulatos e mestiços, enfim, brasileiros que se reconhecem como frutos de uma rica raíz africana.

A história das Coisas - a questão ecológica






Hoje já é consenso que a crise ambiental e seus efeitos transcedem as fronteiras nacionais. As diversas conferencias ambientais evidenciaram a insustentabilidade do modelo de desenvolvimento adotado por todas as nações e defendidas pelas potências centrais. O desenvolvimento sustentável, então, surge como alternativa que busca, a superação da pobreza; a satisfação das necessidades básicas de alimentação, saúde, habitação; a busca por uma matriz energética que privilegie fontes renováveis;o uso mais equilibrado dos recursos; etc.


A pobreza e a degradação ambiental estão relacionados, a questão ambiental não pode ser dissociada da questão humana/social, são duas faces da mesma moeda. O modelo de desenvolvimento predatório, ecologicamente perverso e politicamente injusto está esgotado, temos que buscar uma nova ética que supere o economicismo que contamina o pensamento contemporâneo sobre o processo de desenvolvimento. A sustentabilidade do modelo de desenvolvimento depende do Estado e não do mercado ( do capital) , este último busca respostas vinculadas as possibilidades imediatas de lucro, o que normalmente se choca com a sustentabilidade. O Estado deve ser o gestor e não o mercado!!!


O nosso entendimento do que é ser desenvolvido deve superar a visão consumista, ou então, estaremos fadados a conviver com a degradação continua de nossas vidas e do nosso ambiente.


Cabe lembrar que a sustentabilidade do desenvolvimento exige, quase por definição, a democratização do Estado e não o seu abandono e substituição pelo mercado.



Sobre o tema assistam - http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E .... simplesmente MARAVILHOSO


domingo, 16 de novembro de 2008

O massacre em Darfur continua


O governo do Sudão continua permitindo a ação dos milicianos da Janjaweed. Quando o mundo vai agir? Nunca? São negros, são muculmanos, são africanos. As suas vidas importam, seus gritos são ouvidos?

Visitem o site da Human Rights Watch e vejam o video sobre Darfur.

http://www.hrw.org/sites/default/files/features/darfur/index.html

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A dor do gigante - a crise financeira internacional


Foi um enorme prazer ler este texto escrito por Rui Alves. Há algum tempo, tento tentado escrever sobre a crise, de forma leve e de fácil entendimento, ao ler este texto percebi que era desnecessário o esforço.


Como começou?

Em economia, dizemos que todas as crises financeiras são precedidas por bolhas. A dessa crise financeira foi uma bolha de crédito. Em 2001, o Federal Reserve, o Banco Central Americano, diminuiu a taxa de juros de 6% ao ano para 1% ao ano, com o objetivo de estimular a economia americana. Esse dinheiro fácil inundou o mercado, dobrou o valor das residências e estimulou as empresas a empréstimos sem créditos e garantias.Por conta disso, as agências de hipoteca americanas (financiamentos imobiliários) passaram emprestar em demasia a pessoas que não tinham como pagar a dívida. Essa medida contava com apoio político, pois atingia camadas mais pobres e incentivava a “moradia popular”. Além disso, esses empréstimos eram vendidos com desconto a bancos e seguradoras.Com o aumento da taxa de juros para conter a inflação, as prestações aumentaram e a inadimplência se elevou bastante. Foi a famosa crise subprime (submerso).


O que aconteceu?Ela atingiu em cheio o coração do sistema financeiro, cada vez mais central no capitalismo. Sem o fluxo normal de crédito, a máquina da economia global ficou asfixiada.Em 2008, as conseqüências desta inadimplência surgiram, inicialmente envolvendo as agências hipotecárias, posteriormente os bancos que compraram papéis dessas agências (bancos de investimento)... Em abril, o Federal Reserve (Fed), resolveu emprestar dinheiro para um dos mais tradicionais bancos de investimento da Wall Street (bolsa americana): o Bear & Stearns. O objetivo era evitar a quebra desse banco. Ele acabou sendo vendido ao J.P.Morgan por uma fração do seu valor.Há alguns dias, o Federal Reserve também “salvou” e assumiu o controle de duas das maiores empresas que garantiam créditos imobiliários no país (Fannie Max e Freddie Max). Depois dessas ‘operações de emergência’, porém, iniciativas semelhantes não ajudaram a evitar a quebra de outro gigante dos bancos de investimento, o Lehman Brothers. Isso resultou na MAIOR FALÊNCIA da história dos Estados Unidos (US$ 600 bilhões em capital).Foi o pânico! Para evitar o colapso total, o Fed foi obrigado a entrar em ação comprando a AIG seguradora (compra de US$ 85 bilhões). E por que a AIG quebrou? Ela oferecera US$ 430 bilhões numa espécie de seguro (credit default swaps – instrumento financeiro muito arriscado lançado pelos bancos americanos para se proteger da inadimplência) para instituições que tivessem para receber seus créditos imobiliários. Com a inadimplência, ficou evidente a busca para receber esse seguro e, com isso, a AIG não teve como pagar.Por último, uma das aplicações americanas de investimento mais seguras (fundo de poupança), definida como money market, anunciou que, pela primeira vez, pagaria a seus investidores menos do que eles haviam investido. Para se ter uma noção, esses fundos de poupança reúnem mais de US$ 3 trilhões de reservas dos americanos. Para se fazer uma analogia, seria como se a poupança no Brasil desse prejuízo.Resumindo: o custo dos empréstimos entre os bancos cresceu 16 vezes nos últimos 18 meses, porque as instituições financeiras não confiam mais uma nas outras e preferem ter dinheiro em caixa. Se os bancos não emprestam dinheiro entre si, também não emprestam para as indústrias, para os serviços e para as pessoas (consumidores). Até que a crise financeira acabe, a economia global não vai se recuperar. Setores considerados motores da economia, como a construção civil e o setor automobilístico, dependem de crédito e atravessam forte desaceleração. Como os Estados Unidos são a maior economia do mundo, a diminuição do consumo de sua população provocará queda nas importações provenientes de países como China, Índia e Brasil.


Como está se resolvendo?


A solução imediata para tentar controlar o incêndio foi lançar um pacote americano para tirar do mercado os papéis sem lastro que contaminam os balanços das empresas financeiras e paralisam o crédito. Esse pacote custará “centenas de bilhões de dólares” ao contribuinte americano.
O objetivo principal nessa situação precisa ser a passagem de confiança ao mercado. Se o pacote americano tiver sucesso, permitirá que a economia volte a respirar e a caminhar. Posteriormente, o governo e as empresas terão de se moldar à nova situação, com padrões mais limitados de financiamento. O sistema terá de excluir suas dívidas e papéis ruins. Todos esses fatores terão de ser acompanhados de perto pelos governantes.
Além disso, pela primeira vez, de forma coordenada, os quinze países da zona do euro, incluindo as duas maiores potências econômicas do bloco - Alemanha e França - lançaram em Paris um pacote de medidas para enfrentar a crise financeira global. Eles vão comprar participações em bancos. Haverá a compra de papéis da dívida e garantia dos empréstimos entre bancos até 31 de dezembro de 2009, praticamente paralisados com a crise de crédito, para assegurar capital e liquidez às instituições financeiras. Outra decisão importante: nenhum país deixará seus grandes bancos falirem.


Como está o efeito no Brasil?


Nos últimos anos, a economia do Brasil tem se solidificado muito, favorecida pelo forte crescimento do setor econômico mundial. É lógico que, piorando o quadro da economia mundial, a situação por aqui vai piorar também.
A maior parte da expansão do PIB (Produto Interno Bruto) vem do mercado interno. Somente cerca de 15% vêm das exportações, área mais afetada pela crise.
No início, os problemas estavam ligados apenas às bolsas (campo financeiro). Nas últimas semanas, a crise começou a contagiar o setor produtivo, atingindo as exportações e o crédito externo.Para atenuar esse problema, o governo, por meio do Banco Central, injetou mais de R$ 36 bilhões na economia para ajudar bancos médios e pequenos que antes buscavam crédito barato no exterior. Considerações finaisPara atravessar um período complicado como este, os especialistas recomendam que os orçamentos familiares sejam mais austeros, com decisões de consumo e de investimento bem pensadas. Segundo eles, é difícil prever por quanto tempo as incertezas vão se estender, mas com um bom planejamento será possível enfrentá-las com menos danos.


Algumas humildes observações:


Haverá aumento da inflação?Os efeitos da crise sobre os preços são controversos. Produtos importados, como bebidas, alimentos, roupas e eletroeletrônicos, provavelmente sofrerão reajustes em função da alta do dólar. Já as mercadorias de fabricação nacional devem ter pouco ou nenhum aumento, porque o crédito ao consumidor está escasseando e a desaceleração da economia reduzirá a demanda. Com isso, provavelmente, o efeito de contaminação da inflação pela valorização do dólar será pequeno, devido ao desaquecimento, à política monetária previsível e à administração das expectativas pelo Banco Central (monitoração da taxa de juros – SELIC).


Devo aplicar na BOLSA DE VALORES?A forte depreciação do mercado acionário tornou muitas ações baratas, na avaliação dos analistas. Dessa forma, o mercado de ações pode ter boas oportunidades para serem garimpadas. O problema é que ninguém pode afirmar até quando a crise internacional seguirá afetando a Bolsa. Portanto, mais do que nunca, o investidor deve lembrar que investir em ações é arriscado. E que o retorno do investimento pode levar um tempo mais longo para se concretizar. Caso você tenha seu dinheiro aplicado na bolsa, o momento é de esquecê-lo e esperar a volta dos padrões normais das ações.


E a minha viagem de final de ano? Neste momento de turbulência, ninguém se arrisca a fazer previsões para o dólar. Por isso, consultores aconselham o turista que estava planejando viagens internacionais a reavaliar a decisão. Se você quer viajar de qualquer forma e ainda não comprou a passagem, deve fazê-lo imediatamente. Segundo os economistas os preços de pacotes tendem a subir. Já a moeda para gastos no destino pode ser comprada em pelo menos três parcelas, o que aumenta as chances de conseguir um preço mais razoável. Dívidas no cartão de crédito devem ser evitadas.
Por último, é importante reforçar que 'os bombeiros' já estão a postos e agora nos resta esperar que o fogo seja completamente apagado, avaliar os estragos e começar a reconstruir outras relações para o mercado financeiro e a economia globais.



Autor: Rui Alves Gomes de Sá é Diretor de Ensino e professor de Física do Colégio pH e do Curso pH.

Obs: Rui, os nossos alunos e a equipe de Geografia agradecem ... risos... "caiu" na prova da UFRJ.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O Capitalismo e a Vaca


CAPITALISMO IDEAL:
Você em duas vacas.Vende uma e compra um touro.Eles se multiplicam, e a economia cresce.Você vende o rebanho e aposenta-se, rico!

CAPITALISMO AMERICANO:
Você tem duas vacas.Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas.Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO JAPONÊS:
Você tem duas vacas.Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite.Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

CAPITALISMO BRITÂNICO:
Você tem duas vacas.As duas são loucas.
CAPITALISMO HOLANDÊS:
Você tem duas vacas.Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.
CAPITALISMO ALEMÃO:
Você tem duas vacas.Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO:
Você tem duas vacas.Conta-as e vê que tem cinco.Conta de novo e vê que tem 42.Conta de novo e vê que tem 12 vacas.Você para de contar e abre outra garrafa de vodka.
CAPITALISMO SUÍÇO:
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.Você cobra para guardar a vaca dos outros.
CAPITALISMO ESPANHOL:
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.
CAPITALISMO PORTUGUÊS:
Você tem duas vacas.E reclama porque seu rebanho não cresce…
CAPITALISMO ITALIANO:
Você tem duas vacas. Uma é sua esposa e a outra é sua sogra. Porca miséria!
CAPITALISMO HINDU:
Você tem duas vacas.Ai de quem tocar nelas.
CAPITALISMO ARGENTINO:
Você tem duas vacas.Você se esforça para ensinar as vacas mugirem em inglês…As vacas morrem.Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano ao FMI.
CAPITALISMO BRASILEIRO:
Você tem duas vacas.Uma delas é roubada.O governo cria a CCPV- Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca.Um fiscal vem e te autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas (duas) e não pelo de vacas reais (uma).A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas e para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo…

fonte:BUZZ

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Frases

"Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores do que o silêncio"
Provérbio Indiano

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Elite Branca - onde chegamos?

Um dos Colunistas do Jornal O Globo, publicou a seguinte nota:


ELITE BRANCA
"A área VIP chegou aos cinemas de São Paulo. Nas salas especiais do Shopping Cidade Jardim, o cliente come pipoca com azeite trufado e tem carta de vinho à disposição durante a projeção. O filme é detalhe. O ingresso custa 46 reais"
Alguns questionamentos surgem:
1 - ao dar essa nota, com esse título, o colunista esta querendo dizer que negros não podem pagar essa quantia, ou não podem frequentar esse ambiente ?
2 - ou ele acredita que exista realmente uma elite branca, num país essencialmente mestiço como o Brasil;
3 - a nota foi em tom de crítica ou exaltação? O autor pode dizer que foi uma simples nota, comentando um fato, mas e a escolha do título?
Agradecimentos ao Eduardo Goldenberg que, como sempre, abre os meus olhos e me enriquece...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Direitos Humanos no Brasil - retrocesso



O Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo elaborou, recentemente, o Terceiro Relatório Nacional sobre os Direitos Humanos no Brasil. Segundo os dados contidos neste trabalho, referentes anos de 2005 e 2006, a questão dos direitos humanos sofreu um retrocesso, uma estagnação no Brasil.


O documento produzido pela USP mostra, que em todos os estados da federação, tivemos graves violações dos direitos humanos. É fácil perceber que os sitemas estaduais e federais de segurança, justiça e admisnistração penitenciária não estão preparados, nem organizados, para investigar, processar e julgar casos de violações de direitos humanos, ou aplicar sanções criminais e cíveis aos responsáveis por estas violações. Sendo assim, a ação do Estado, em todas as esferas e instâncias, não somente é o responsável pela impunidade como também é conivente ou participante das violações. Sem Direitos Humanos não temos cidadania, sem cidadania não há democracia.


Seguem alguns dados do relatório:


  • o trabalho infantil cresceu no país ( 2004 para 2005), apesar do PETI e do Bolsa-Escola;

  • o trabalho escravo persiste em todas as regiões, com exceção da região sul;

  • de 2002 para 2005, os conflitos pela posse da terra se intensificou, e o número de pessoas mortas aumentou.

  • nas áreas urbanas, a violência fatal continua a atingir de forma intensa e desproporcional os jovens de sexo masculino, entretanto, o número de homicídios na região Sudeste caiu.

  • O Rio de Janeiro apresenta o maior índice de homicídios por 100 mil habitantes, 49,1/100mil, só perdendo para Pernambuco com uma taxa 50,7;

  • A violência policial se mantem no país, com destaque para o Rio de Janeiro e São Paulo.

domingo, 26 de outubro de 2008

Conflitos de terra no Brasil - dados 2007 CPT

A Comissão Pastoral da Terra(CPT) divulgou, no final do ano passado, uma série de dados sobre os conflitos ocorridos no campo brasileiro. Estes dados demonstram que apesar dos avanços neste setor, a questão agrária esta longe de ser resolvida. Seguem alguns dados:
  • Os conflitos pela água, neste ano, apresentaram crescimento em relação a igual período de 2006. De 38 conflitos para 40 em 2007. O número de pessoas envolvidas, porém, mais que dobrou: de 12.632 para 25.919. Na região Sudeste houve o maior crescimento desses conflitos, de 6, em 2006, para 14, em 2007. Destes, 11 são em Minas Gerais. 17 dos 40 conflitos, 42,5%, foram registrados nos Estados banhados pelo rio São Francisco, objeto do projeto de Transposição do governo federal.
  • Número de assassinatos dobra no Centro-Oeste. Analisando os números em detalhe, o que se vê é que o número de assassinatos que decresceu no país como um todo, teve um aumento de 100% no Centro-Oeste passando de 2, em 2006, para 4 em 2007; e de 50% na região Nordeste, passando de 4 para 6. No Centro-Oeste, 3 dos 4 assassinatos são de indígenas, dois deles no Mato Grosso do Sul onde os Guarani-Kaiowá vivem a situação mais dramática de que se tem conhecimento, encurralados em pequenas áreas ou acampados na margem de estradas, não se garantindo espaço para quem era o dono de toda aquela região. O outro indígena foi assassinado no Mato Grosso.No Nordeste, dos 6 assassinatos, 3 são também de indígenas, 1 na Bahia, 1 no Ceará, e 1 no Maranhão. Também ali se configura uma situação em que o avanço do agronegócio não respeita nada, muito menos comunidades tradicionais, taxadas de improdutivas e de serem empecilho para o progresso.
  • No Centro-Oeste, cresceu o número de pessoas submetidas ao trabalho escravo. De 1.078, em 2006, passaram para 1.157, em 2007, com destaque para Goiás que de 3 ocorrências, em 2006, passou para 8, em 2007, com envolvimento de pessoas passando de 113 para 441. O mesmo acontecendo em Mato Grosso do Sul onde se registraram 9 ocorrências, envolvendo 628 pessoas, em 2007, contra 3 ocorrências envolvendo 39 pessoas, em 2006. O trabalho escravo também cresceu expressivamente no Maranhão e no Piauí. Goiás também se destaca por ter aumentado o número geral de conflitos, de 28 para 31. O que mais chama a atenção, porém, na análise mais regionalizada dos números é a região Sudeste que se comportou de modo inverso ao restante do país. A região foi a única que apresentou crescimento no número de conflitos passando de 180, para 193 e no número de pessoas envolvidas, que saltou de 71.983 para 112.356. Em relação às famílias expulsas a região Sudeste seguiu a tendência geral do País, passaram de 95 para 435. O Sudeste também foi o único que apresentou crescimento no número de famílias despejadas passando de 980 para 1.477. Foi só nessa região, ainda, que houve crescimento no número de ocupações: 78, em 2006; 88, em 2007, e de acampamentos: 4, em 2006; 7, em 2007.Na região mais rica e urbanizada do País é impressionante constatar que ocorreram 23,5% de todos os conflitos no campo, e onde estão 20% das pessoas envolvidas em conflitos. O grande progresso tecnológico aplicado ao campo e o avanço das monoculturas geram, além das riquezas propagandeadas, maior desigualdade, exclusão e, em conseqüência disso, novos e graves conflitos. A bem da verdade pode-se imputar este destaque do Sudeste à presença mais próxima dos meios de comunicação que registram os fatos, na maior parte das vezes, para criticar a ação dos trabalhadores. Em outras regiões do País, boa parte dos conflitos nunca chegam ao conhecimento público. Como diz o professor Carlos Walter Porto Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense: “Não deixa de ser preocupante que a região mais rica do Brasil apresente crescimento da violência no campo em relação às demais regiões. Uma nova geografia da violência está se desenhando, conforme indicam estes dados parciais de 2007. Tudo indica que o avanço do cultivo da cana, diante da febre dos agrocombustíveis, esteja trazendo implicações no aumento do preço da terra, que rebate no programa de Reforma Agrária, e consigo carrega o aumento da violência .”

O texto modificado e adaptado do Blog - Mundo em Movimento

sábado, 25 de outubro de 2008

Preconceito, racismo e discriminação - Blue Eyed

Há alguns anos, o Canal GNT exibiu um documentário maravilhoso chamado Blue Eyes, fuxicando a internet achei no Youtube. Por favor assistam - http://www.youtube.com/watch?v=bJLmP7s-7Gw&feature=related, o filme mexe com qualquer um que assista.

O Filme mostra o trabalho da professora e socióloga Jane Elliott. O Documentário Blue Eyed mostra um exercício de discriminação pela cor dos olhos, no caso, azuis. A idéia é reproduzir com as pessoas de olhos azuis, as condições vividas pelos negros na sociedade norte-americana ( acho que vale para o mundo ocidental como um todo). O inicio do filme já mostra para que ele veio... Numa palestra com um auditório repleto de brancos, ela pergunta: "Se algum branco gostaria de receber o mesmo tratamento dados aos cidadãos negros em nossa sociedade, levante-se. (...) Ninguém se levantou. Isso deixa claro que vocês sabem o que está acontecendo. Vocês não querem isso para vocês. Quero saber por que, então, aceitam isso e permitem que aconteça com os outros.

domingo, 5 de outubro de 2008

O caso do Boimate

É muito provavel que o povo da área de comunicação conheça essa história, tenha a mesma como algo clássico, para mim é a mais absoluta novidade, por sinal uma maravilhosa novidade... risos
Jornalismo Científico: teoria e prática:: O caso boimate. Uma árvore que dá filé ao molho de tomate. E alguém acreditou nisso


Wilson da Costa Bueno*

Os jornais e revistas ingleses gostam de " descobrir" fatos científicos no dia 1º de abril. A maior revista brasileira " comeu barriga" e entrou na deles. Conheça a história do " boimate", " uma nova fronteira científica". O " fruto da carne", derivado da fusão da carne do boi e do tomate, batizado com o sugestino nome de boimate, constituiu-se, sem dúvida, no mais sensacional " fato científico" de 1.983, pelo menos para a revista Veja, em sua edição de 27 de abril. Na verdade, trata-se da maior " barriga" (notícia inverídica) da divulgação científica brasileira. Tudo começou com uma brincadeira – já tradicional – da revista inglesa New Science que, a propósito do dia 1º de abril, dia da mentira, inventou e fez circular esta matéria. A fusão de células vegetais e animais entusiasmou o responsável pela editoria de ciência da Veja que não titubeou em destacar o fato. E fez mais: ilustrou-o com um diagrama (aqui incluído) e entrevistou um biólogo da UPS, para dar a devida repercussão da descoberta. Para a revista, " a experiência dos pesquisadores alemães, porém, permite sonhar com um tomate do qual já se colha algo parecido com um filé ao molho de tomate. E abre uma nova fronteira científica". O ridículo foi maior porque a revista inglesa deu inúmeras pistas: os biólogos Barry McDonald e William Wimpey tinham esses nomes para lembrar as cadeias internacionais de alimentação McDonald´s e Wimpy´s. A Universidade de Hamburgo, palco do "grande fato", foi citada para que pudesse ser cotejada com " hamburguer" e assim por diante. Mas nada adiantou. A descoberta do engano foi feita pelo jornal O Estado de S. Paulo que, após esperar inutilmente pelo desmentido, resolveu " botar a boca no mundo" no dia 26 de junho. O espírito gozador e , mais surpreendente às vezes até irado do brasileiro, no entanto, não deixou por menos. Durante o intervalo entre a matéria da Veja e o desmentido do Estadão, cartas e mais cartas chegaram às redações. Um delas que, maliciosamente, assinou " X-Burguer, Phd, Capital", lembrava que no Brasil já haviam sido feitas descobertas semelhantes: o jeribá, cruzamento de jabá com jerimum, ou o goiabeijo, cruzamento de gens de goiba, cana-de-açúcar e queijo, e adiantava que seus estudos prosseguiam para criação do Porcojão ou Feijoporco, cruzamento de porcos com feijões que ele esperava dar como contribuição à tradicional feijoada paulista. Domingos Archangelo escreveu ao Jornal da Tarde uma carta colérica contra a " a violação das leis naturais". Segundo ele, " do alto dos meus 76 anos, não posso ficar calado ante tal afronta às leis divinas. Boi nasceu para pastar, para puxar os saudosos carros do interior e para nos oferecer sua saborosa carne. E tomate, além das notórias qualidades que se lhe imputam na cozinha, serve também para ser arremessado à cabeça de quem perpetra tal montruosidade e, também, dos dão guarida e incentivam tais descobertas".
Francisco Luís Ribeiro, outro leitor da Capital, relata outros cruzamentos, além do boimate, que deram certo e cita experiências para " cruzar pombo-correio com papagaio, para o envio de mensagens faladas". Finalmente, com o objetivo de pôr fim ao caso que já divertia as redações, a revista publicou, na edição de 6 de julho, ou seja, depois de dois meses, o desmentido: " tratou-se de lastimável equívoco". E justificou-se, explicando que é costume da imprensa inglesa fazer isso no dia 1º de abril e que, desta vez, havia cabido à revista entrar no jogo, exatamente no " seu lado mais desconfortável".
A tradição inglesa e outras barrigas
Através do correspondente inglês Colin Seaward, do Jornal do Brasil, o leitor brasileiro ficou sabendo este ano (1) das novas mentiras veiculadas pelos jornais londrinos, por ocasião do 1º de abril. Desta vez, The Independent, diário que circula em Londres, foi o responsável pelo grande fato. Segundo o jornal, um lavrador da ilha de Melos, na Grécia, fez a maior descoberta arqueológica do século, encontrando em suas terras os braços da célebre Vênus de Milo, a mais famosa escultura do mundo, presente no Museu do Louvre, em Paris. O governo francês estaria negociando com o da Grécia o implante – ainda de acordo com The Independente – , após ter sido comprovado que os braços eram autênticos. Até os anunciantes resolveram pregar suas peças nos leitores. A BMW, fabricante alemã de carros, em anúncio publicado também em The Independent, advertia que cópias da marca fabricadas no Extremo Oriente estavam sendo exportadas para a Inglaterra. Aproveitava para ensinar as formas de se reconhecer a autenticidade do produto. Por exemplo, os pelos dos tapetes dos carros verdadeiros inclinam-se para a direita e os dos falsos, para a esquerda. Mais ainda: o nível de ruído do motor deve ser testado, obedecendo ao ritual dos engenheiros autorizados, na fábrica alemã: o motorista deve sentar-se no carro com o motor ligado e pedir a outra pessoa, a três metros de distância, que grite: " Esel! Du bist reingefallen" (Seu asno! Você caiu na armadilha!) É evidente que quem soubesse um pouco de alemão, teria grandes chances de descobrir, neste ponto, a brincadeira, mas não são muitos os ingleses que falam o alemão. A empresa australiana de aviação Qantas não deixou por menos. Em página inteira, anunciava ter inaugurado um vôo direto Londres-Sidney, possível graças a um novo sistema – O Aprist – de reabastecimento em vôo. O Aprist reabastece, segundo a Qantas, o avião e os passageiros, mediante uma combinação de calhas que fornecem alimentos e bebidas, enquanto o aparelho vai sendo reabastecido. Mancada maior, no entanto, deu o jornal Notícias Populares, de São Paulo, famoso pelas notícias policiais sensacionalistas e por fechar muito cedo as suas edições diárias. Quando da agonia do ex-presidente Tancredo Neves, ele explorou à larga o fato, abrindo manchetes garrafais. No dia da morte, o jornal estava ainda em cima do processo de esfriamento do corpo, tema das últimas manchetes. Na pressa de chegar cedo às bancas, não esperou até à noite para verificar o estado de saúde do presidente (ele tinha estado muito mal o dia todo) e, no dia seguinte, saiu com essa: " Trancredo cada vez mais frio." Foi o único jornal diário que não noticiou a morte do presidente. Foi também a maior " fria" do jornalismo brasileiro.

Notas(1) O ano referido pelo artigo é de 1987, quando ele foi publicado no jornal Imprensa Brasileira 87.
Observações complementares: 1) Com o avanço da engenharia genética, esta notícia talvez fosse hoje menos sensacional. Os xenotransplantes e a agrobiotecnologia têm gerado resultados não menos surpreendentes; 2) Há quem suspeite de que a redação de o jornal O Estado de S. Paulo tenha forjado pelo menos algumas das cartas por ele publicadas a respeito do caso boimate; 3) Alguns trechos de cartas aqui citadas foram recuperadas da matéria do Estadão sobre a " barriga" da Veja, no dia 26 de junho de 1983 ; 4) As " barrigas" não são exclusividade dos veículos brasileiros e, em nosso país, da revista Veja; 5) Os pesquisadores precisam tomar muito cuidado antes de repercutirem fatos científicos, alardeados pela mídia, porque, embora teoricamente possíveis, podem ser, naquele momento específico , um equívoco. Lembremos do caso da fusão a frio, amplamente noticiada pela mídia mundial , e que se constituía numa fraude. A descrição e a análise deste fato foi objeto de uma interessante dissertação de mestrado, defendida na USP, pelo jornalista, professor e pesquisador Roberto Medeiros.
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OBS: Artigo publicado originalmente na edição especial Imprensa Brasileira 87, comemorativa do Dia da Imprensa, em 10 de setembro de 1987, p.12, publicada pela Comtexto Comunicação e Pesquisa e dedicada totalmente ao Jornalismo Científico.
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*Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor do programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP e de Jornalismo da ECA/USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa.

sábado, 4 de outubro de 2008

Manipulação da Informação - O caso da revista VEJA

Em seu blog (http://luis.nassif.googlepages.com/home), o jornalista Luis Nassif desmascara a revista Veja, mostrando com detalhes os esquemas e as artimanhas. Segue abaixo, alguns trechos .... Visitem e leiam o blog.

O caso de Veja por Luís Nassif

O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja.Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico.

Para entender o que se passou com a revista nesse período, é necessário juntar um conjunto de peças. O primeiro conjunto são as mudanças estruturais que a mídia vem atravessando em todo mundo. O segundo, a maneira como esses processos se refletiram na crise política brasileira e nas grandes disputas empresariais, a partir do advento dos banqueiros de negócio que sobem à cena política e econômica na última década... A terceira, as características específicas da revista Veja, e as mudanças pelas quais passou nos últimos anos.
O estilo neocon
De um lado há fenômenos gerais que modificaram profundamente a imprensa mundial nos últimos anos. A linguagem ofensiva, herança dos “neocons” americanos, foi adotada por parte da imprensa brasileira como se fosse a última moda.
Durante todos os anos 90, Veja havia desenvolvido um estilo jornalístico onde campeavam alusões a defeitos físicos, agressões e manipulação de declarações de fonte. Quando o estilo “neocon” ganhou espaço nos EUA, não foi difícil à revista radicalizar seu próprio estilo.
Um segundo fenômeno desse período foi a identificação de uma profunda antipatia da chamada classe média mídiatica em relação ao governo Lula, fruto dos escândalos do “mensalão”, do deslumbramento inicial dos petistas que ascenderam ao poder, agravado por um forte preconceito de classe. Esse sentimento combinava com a catarse proporcionada pelo estilo “neocon”. Outros colunistas utilizaram com talento – como Arnaldo Jabor -, nenhum com a fúria grosseira com que Veja enveredou pelos novos caminhos jornalísticos.
O jornalismo e os negócios

Outro fenômeno recorrente – esse ainda nos anos 90 -- foi o da terceirização das denúncias e o uso de notas como ferramenta para disputas empresariais e jurídicas.
A marketinização da notícia, a falta de estrutura e de talento para a reportagem tornaram muitos jornalistas meros receptadores de dossiês preparados por lobistas.
Ao longo de toda a década, esse tipo de jogo criou uma promiscuidade perigosa entre jornalistas e lobistas. Havia um círculo férreo, que afetou em muitos as revistas semanais. E um personagem que passou a cumprir, nas redações, o papel sujo antes desempenhado pelos repórteres policiais: os chamados repórteres de dossiês.
Consistia no seguinte:
O lobista procurava o repórter com um dossiê que interessava para seus negócios.
O jornalista levava a matéria à direção, e, com a repercussão da denúncia ganhava status profissional.
Com esse status ele ganhava liberdade para novas denúncias. E aí passava a entrar no mundo de interesses do lobista.
A degradação jornalística da revista Veja foi fruto de dois fenômenos simultâneos que sacudiram a mídia nos últimos anos: a mistura da cozinha com a copa (redação e comercial) e o afastamento dos princípios jornalísticos básicos.

Vamos analisar um processo de cada vez.
A copa e a cozinha

Os grupos de mídia sempre tiveram interesses paralelos em jogo. Para não contaminar as redações, se procurava tratar em âmbito das cúpulas das empresas. Sempre havia maneiras “técnicas” de vetar determinadas matérias que não interessavam, assim como conferir tratamento jornalístico a matérias de interesse da casa.

Para administrar esse território delicado, as boas redações jamais prescindiram de comandantes fortes e competentes. São os avalistas do jornalismo perante a empresa e da empresa perante a redação. Não vão contra a lógica comercial, mas são os radares, aqueles que informam até onde se pode avançar no noticiário sem comprometer a credibilidade da publicação.

Após a crise cambial de janeiro de 1999, o quadro começou a mudar. Apertos financeiros levaram gradativamente muitas publicações a abrirem mão de cuidados básicos, não só permitindo a promiscuidade entre a copa e a cozinha (redação e comercial), mas também manobras de mercado. Quanto às manobras de mercado, deixo apenas registrado, porque não será tema dessa série.

No início de 1999, um episódio marcaria os novos tempos de Veja. Em 10 de março de 1999, em pleno escândalo das “fitas do BNDES”, a revista recebeu material demonstrando que a Previ tinha assinado acordo com o banco Opportunity, de Daniel Dantas, mesmo tendo sido desaprovado por sua diretoria. A matéria foi feita pelo repórter Felipe Patury (clique aqui).

"No início de fevereiro, um diretor do fundo, Arlindo de Oliveira, mandou uma carta ao presidente da Previ. São três páginas, e o tom é de indignação, expresso em frases que se encerram com três pontos de exclamação. Na carta, o diretor relata que a diretoria da Previ, reunida em julho do ano passado, decidiu que não faria parceria com o Opportunity no leilão das teles tendo de pagar ao banco 7 milhões de reais por ano de "taxa de administração". A diretoria achou o valor descabido e decidiu só fazer o negócio se não tivesse de pagar a taxa. O estranho é que essa decisão foi ignorada. A Previ associou-se ao Opportunity na compra de três teles (Tele Centro Sul, Telemig Celular e Tele Norte Celular) e comprometeu-se a arcar com os 7 milhões de reais por ano, apesar da decisão contrária da diretoria".

Segundo a matéria, a Previ também havia entrado – sem autorização da diretoria – na operação de compra da Telemar que – na época – pensava-se que sairia para o Opportunity.
Na semana seguinte, o repórter conseguiu mais material das suas fontes. Chegou a preparar a matéria. Uma semana depois, na edição de 17 de março de 1999, a matéria não saiu publicada. Mas, pela primeira vez, o banco Opportunity – denunciado na edição anterior – bancou duas páginas de publicidade na revista. Não batia. O Opportunity não é banco de varejo, não atua sequer no middle market, não havia lembrança de publicidade dele nem mesmo em revistas especializadas – como a Exame.

No dia 31 de março de 1999, mais duas páginas de publicidade do Opportunity.
Esse mesmo procedimento – em mão inversa – seria empregado nas duas edições em que Diogo Mainardi me atacou, em defesa de Daniel Dantas. Só que, nesses casos, a fatura foi mais alta: 6 páginas de publicidade da Telemig Celular e Amazônia Celular em cada edição, 12 ao todo. Também não se justificava tamanho investimento publicitário por parte de empresas que tinham atuação regional.

Qualquer manual de administração ensina que, quando a empresa passa a fugir do comportamento ético nas suas ações externas, acaba contaminando toda a estrutura.
Aparentemente, ocorreu um liberou geral na revista. É o que explica as atitudes de Eurípedes com Eduardo Fischer ou as de Mário Sabino manipulando listas de livros mais vendidos para incluir o seu. E o lobby escancarado da revista em favor de Daniel Dantas, especialmente através das colunas de Diogo Mainardi.

Com escorregões cada vez mais freqüentes, tornou-se difícil – mesmo para os leitores mais atilados – identificar o que eram falhas editoriais, interesse da Abril ou interesse dos diretores da revista.

Havia um fator a mais a estimular a falta de controle: a desobediência ampla aos princípios jornalísticos básicos. E aí se encontra um farto material sobre o mais completo compêndio de anti-jornalismo que a história moderna da mídia brasileira registrou: o estilo Veja de jornalismo.
Desde os anos 80, cada vez mais Veja se especializaria em “construir” matérias que assumiam vida quase independente dos fatos que deveriam respaldá-las. Definia-se previamente como “seria” a matéria. Cabia aos repórteres apenas buscar declarações que ajudassem a colocar aquele monte de suposições em pé.

Essa preparação prévia da reportagem ocorre toda segunda-feira nas reuniões de editores. É chamada de "pensata".

O que era um estilo criticável, com o tempo acabou tornando-se uma compulsão, como se a revista não mais precisasse dos fatos para compor suas reportagens. Ela se tornou uma ficção ampla, algo que é de conhecimento geral dos jornalistas brasileiros.
Ainda nos anos 80, o caso mais célebre foi o do “boimate” – criação de Eurípedes Alcântara, já mencionado em outro capítulo.

Mas, à medida que se entrava na era Tales Alvarenga- Eurípedes- Sabino, final dos anos 90 em diante, esse estilo ficcional passou a arrostar os limites da verossimilhança.

O primeiro filtro sobre uma matéria é avaliar se os fatos relatados são verossímeis. Se passar nesse teste básico, é que se irá conferir se, mesmo sendo verossímeis, também são verdadeiros.
Com o tempo, tornaram-se cada vez mais freqüentes as matérias absurdas, sem nexo, sem conhecimento básico sobre economia, finanças, valores, relações de causalidade. Sobre jornalismo, enfim.

O modelo Veja de reportagem
Antes de análises de caso, vamos a uma pequena explicação sobre como é esse modelo Veja de reportagem.
1. Levantam-se alguns dados verdadeiros, mas irrelevantes ou que nada tenham a ver com o contexto da denúncia, mas que passem a sensação de que o jornalista acompanhou em detalhes o episódio narrado.
2. Depois juntam-se os pontos, cria-se um roteiro de filme, muitas vezes totalmente inverossímil, mas calçado nos fatos supostamente verdadeiros.
3. Para “esquentar” a matéria ou se inventam frases que não foram pronunciadas ou se tiram frases do contexto ou se confere tratamento de escândalo a fatos banais. Tudo temperado por forte dose de adjetivação.
O caso "boimate" é clássico. Depois de cair no conto de 1o de abril da New Scientist - sobre um cruzamento de boi com tomate que resultou em uma carne com molho -, envia-se um repórter para obter uma frase de efeito de um cientista da USP.
O repórter perguntou o que o cientista achava. A resposta foi que era impossível tal experimento. O repórter tinha que voltar com a frase que se encaixasse na matéria, então insistiu: "E se fosse possível!". O cientista, ironizando: "Seria a maior revolução da história da genética".
A matéria saiu com a frase do infeliz dizendo que era a maior revolução da história da genética.

( acredito que seja o suficiente para despertar o interesse pelo Blog do jornalista, no meu caso estou devorando todas as matérias)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Religiões africanas III - Kitábu


O mestre Nei Lopes, em seu livro Kitábu, coloca alguns conceitos referentes as concepções filosóficas que norteiam a cosmovisão africana. Vou listar alguns conceitos coletados e "traduzidos" por este intelectual da cultura popular brasileira, que estes sirvam como estímulo para leitura deste, fundamental, livro.


I - O Universo visível e o invisível
O universo visível é a camada externa e concreta de um universo invisível e vivo constituído por forças em perpétuo movimento. No interior dessa vasta unidade cósmica tudo esta lifgado, tudo é solidário. No universo não existe nem grande nem pequeno e , sim, a harmonia entre coisas de tamanhos diferentes. As relações de grandeza não têm nenhum sentido, porque não acrescentam nem diminuem nada.


II - O tempo: passado, presente e futuro
O ser humano tem de acreditar na existência simultânea do passado, do presente e do futuro e orientar seu tempo dentro da harmonia dessas três variantes. O conceito de tempo linear é uma ilusão e a materialidade, uma miragem. O conceito de tempo, então, é determinado mais pela opção existencial do ser humano do que por fatores raciais ou geográficos.


III - O Ser Supremo
O ser supremo é o criador de todos os seres e coisas. Ele está muito distante do ser humano e só é acessível por mneio de divindades secundárias. Tanto o Ser Supremo quanto as divindades, os antepassados e os seres humanos, enfim, tudo o que existe no universo, interage em obediência a regras extremamente precisas por meio de sua respectiva força vital.


IV - Força Vital
Todos os seres do Universo têm sua própria força vital, e esta é o valor supremo da existência. Possuir maior força vital é a única forma de felicidade e bem-estar. A morte, as doenças, as degraças, o aborecimento, o cansaço, a depressão, todo o sofrimento, enfim, é consequência de uma diminuição da força vital, causada por um agente externo dotado de força vital superior. O remédio contra os sofrimentos é, portanto, reforçar a energia vital, para resistir às forças nocivas externas.


V - A palavra
A palavra falada, além de seu valor fundamental, possui um caráter sagrado que se associa à sua origem divina e às forças ocultas nela depositadas. A tradição oral, que não se limita aos contos e lendas nem aos relatos míticos e históricos, é a grande escola da vida, recobrindo e englobando todos os seus aspectos. Nela, o espiritual e o material não se dissociam. A transmissão oral do conhecimento é o veículo do poder e da força das palavras, que permanecem sem efeito em um texto escrito.

O conhecimento transmitido oralmente, pelo Verbo atuante, tem o valor de uma iniciação, que não está no nível mental da compreensão, porém na dinâmica do comprtamento. essa iniciação é baseada em reflexos que operam no raciocínio e que são induzidos por impulsos nascidos do fundamento cultutal da sociedade.

A palavra é força. O Verbo é a expressão por excelência da força em sua plenitude. sendo agente mágico por excelência e grande transmissor de força, a palavra não pode ser usada levianamente.


Qualquer um que queira entender o pensamento africano deve recorrer ao mestre Nei Lopes e a sua obra.



Frases

“Os homens aceitam a mudança apenas na necessidade e vêem a necessidade apenas na crise.”

Jean Monnet

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Senhores da Guerra

Atendendo aos pedidos dos alunos, segue o curta metragem sobre a guerra do Iraque.

video

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Intolerância religiosa

Ainda influênciado pela marcha contra intolerância religiosa, resolvi reproduzir trechos de um texto do padre Clóvis Cabral, publicado revista história viva.



O Diálogo fundamental


Muitos são os pontos que uniram historicamente o catolicismo com as religiões afro-brasileiras. Para nós, sacerdotes, religiosos e militantes da pastoral afro-brasileira, travarmos um diálogo com essas religiões é fundamental, já que elas são fruto da experiência da negritude. E o ponto de contato entre a Bíblia e a negritude é a postura permanentemente rebelde dos homens e mulheres do povo de Deus , do povo da Bíblia. A mesma rebeldia estampada nos grafites dos muros das nossas cidades-favelas, gritada poeticamente pelos cantores de rap e entoada em forma de malembe pelas Ialorixás, denunciando todas as formas de intolerância religiosa que, demonizando as religiôes de matrizes africanas, enfraquece o processo de empoderamento das comunidades negras e populares.(...)

O Pontifício Conselho para o diálogo Inter-religioso e a Congregação para Evangelização dos povos publicaram, na Festa de Pentecostes de 1991, um Documento do Magistério Oficial da Igreja Católica intitulado Diálogo e Anúncio ( DA). Esse documento tem por objetivo, desenvolver de maneira mais aprofundada o ensinamento da encíclica " A missão do Redentor"(RM), sobre a relação entre o diálogo inter-religioso e o anúncio do Evangelho. nesse documento, o Diálogo Inter-religioso é definido como " o conjunto das relações inter-religiosas, positivas e construtivas, com pessoas e comunidades de outros credos para um conhecimento mútuo e um recíproco enriquecimento, na obediência à verdade e no respeito à liberdade"


O documento parte de um princípio pedagógico: nós católicos "devemos nos aproximar sensivelmente de outras tradições religiosas, porque elas encerram valores espirituais e humanos (e por isso) exigem respeito da nossa parte"


O diálogo requer uma atitude equilibrada de ambas as partes. Não devemos ser demasiadamente ingênuos nem hipercríticos, mas abertos e acolhedores. Há que ter vontade de se empenhar em conjunto, a serviço da verdade, e ter a prontidão de se deixar transformar pelo encontro. Isto não significa que ao entrar em diálogo coloquemos de lado nossas próprias convicções religiosas. Longe de nos enfraquecer a fé, o diálogo verdadeiro a torna mais profunda. Para dialogar, é preciso ter muita paciência. As pessoas se pertencem. A exclusão do " outro", simplesmente porque o outro é diferente, é um pecado para os católicos. Nas comunidades-terreiros, o primeiro princípio mais apreciado da vida em comum é o de incluir e não excluir. O ser humano não é só força vital (axé), é muito mais que isso, é força vital em participação.


Neste século, as comunidades de origem negra, todas elas ( terreiro de candomblé, batuques, xangô....)têm desempenahdo esta visão de cidadania, justamente por isto, são atacadas violentamente. De fato, as religiôes afro-brasileiras e suas comunidades religiosas têm sido, ao longo da nossa história, as vítimas preferenciais da intolerância religiosa. Quem as persegue, quem as ataca, quem as sataniza, quem as desqualifica, sabe exatamente o que esta fazendo. Sabe que as destruindo, destrói o coração de um modo de viver. Sabe que elas são as guardiãs da cosmovisão afro-brasileira, espaços vitais que, ao longo dos séculos, têm a possibilitado a sobrevivência com dignidade das populações negras deste país. (...)
pe. Clovis Cabral é teólogo e educador popular

Marcha em Defesa da Liberdade Religiosa




No último domingo na praia de Copacabana, o Rio de Janeiro assitiu a passeata em defesa da liberdade religiosa, marco importante na luta pela diálogo inter-religioso. Infelizmente, não compareci ao evento. Assitindo as matérias nos telejornais, a declaração do pastor presbiteriano Marcos Antônio Amaral me chamou atenção. Vou tentar reproduzir o diálogo entre o pastor e a jornalista.


Jornalista - para o pastor presbiteriano estar aqui ( na passeata contra a intolerância) foi um exercício de tolerância

Marcos - É um desafio pessoal. Estar dialogando com as religiôes afro é dialogar contra os meus fantasmas interiores, os ensinamentos que desde do berço recebi, sempre demonizavam toda expressão cultural religiosa (afro).

Jornalista - tá dando para mudar de opinião?

Marcos - dá um sorriso, meio constrangido, meio deslumbrado com o novo, mas certamente feliz e responde: É muito rico estar aqui.


Que todos aqueles, que um dia aprenderam a intolerância, como regra, também possam se enriquecer como o pastor Marcos.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Religiões na África parte II

Zulus da África do Sul
Segundo Leo Frobenius, a fundação do reino do Zimbabwe está ligada aos ancestrais bantos vindos do norte. Num mito karanga, a realeza sagrada realizava o equilíbrio dos contrários:o calor e a umidade, simbolizados pelas princesas da vagina úmida e pelas princesas de vagina seca. As primeiras deviam copular com a grande serpente aquática, às vezes chamada serpente arco-íris, que é um ser sobrenatural presente em muito povos da áfrica ocidental e meridional. As princesas de vagina seca eram as vestais que alimentavam o fogo ritual. Em tempos de seca, sacrificava-se uma princesa de vagina úmida para obter-se a chuva.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Religiões na África

Essa postagem é a primeira de uma série sobre religiões africanas. Em verdade, vou reproduzir curtos textos de Mircea Eliade, sempre grafando as discordâncias. Iniciando com a África Ocidental, excluindo o caso dos povos Iorubás, pois quanto a este vale verificar ifabiyi@blogspot.com.



Visão de mundo dos Bambaras e dos Dogons do Mali

Nove populações (dogons, bambaras, ferreiros, kurumbas, bozos, mandigas, samogos, mossis, kules) vivem no mesmo substrato metafísico, se não religioso. Têm em comum o tema da criação por um verbo inicialmente imóvel, cuja vibração vai determinando aos poucos a essência e, depois, a existência das coisas; o mesmo ocorre com o movimento em espiral cônica do universo, que está em extensão constante.

Na cosmogonia dos dogons, o universo e o homem são criados a partir de uma vibração primordial que procede, em forma helicoldal, de um centro e cujo impulso é dado por sete segmentos de diferentes comprimentos. O verbo estabelece uma aproximação entre o homem e seu Deus, ao mesmo tempo que uma ligação entre o mundo objetivo concreto e o mundo subjetivo da representação. Parir a palavra não é uma operação sem risco, pois ela rompe a perfeição do silêncio. O silêncio, segredo que se cala, tem valor iniciático que caracteriza a condição original do mundo. No princípio, não havia necessidade de linguagem, pois tudo o que existia estava integrado numa palavra inaudível, um sussuro contínuo.

E ainda dizem que o pensamento africano é atrasado....






Frases

Eu simplesmente adoro boas frases, pessoalmente, sem muito sucesso, tento criar frases impactantes. Esse será o primeiro de muitas postagens com frases de famosos e de anônimos.


" O BRASILEIRO NÃO TEM MEDO DO FIM DO MUNDO. TEM MEDO DO AMANHÃ"

Jean Delumeau, historiador francês.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Um oceano de plástico

Pode parecer mentitra, ficção científica, alarmismo, entretanto é a mais pura verdade - TEMOS UM MAR DE PLÁSTICO.

No meio do oceano Pacífico existe uma verdadeira sopa de plástico, toneladas e mais toneladas deste material estão acumuladas num ponto do oceano. É a maior concentração de lixo no planeta, o plástico se acumula em função do sentido das correntes marinhas atuantes na região, criando um vórtice. São 1000 quilometros de extensão com 10 metros de profundidade, de puro plástico, o navios encontram dificuldades para atravessar a área.




Será que ainda dá tempo de salvar algo?


sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Aos meus ancestrais - aos meus mortos

RESPIRAR
Birago Diop


"Ouçamos mais ao que nos cerca,do que àquilo que dizemos. A voz da água que canta, a chama que chora e o vento que move o suspirar das matas, são o respirar de nossos antepassados.


Aqueles que se foram, jamais nos deixaram.Vivem na sombra que oculta, na sombra que se esvai com o dia. Os mortos não estão sob a terra. Estão no balanço das árvores, na madeira que chora. Estão na corrente do rio e na água plácida que não se move. Estão na multidão e na fazenda. Os mortos nunca morreram.


Ouçamos mais ao que nos cerca, do que àquilo que dizemos. A voz da água que canta, a chama que chora e o vento que move o suspirar das matas, são o respirar de nossos antepassados, que nunca se foram, que não estão sob a terra,que nunca morreram.Aqueles que se foram, jamais nos deixaram. Estão no seio da esposa, no choro do bebêe na brasa que crepita cheia de vida.Os mortos não estão sob a terra. Estão no fogo que queima baixo, na grama, repleta de lágrimas, e na rocha onde sopra o vento. Estão na mata e no lar. Os mortos nunca morreram.


Ouçamos mais ao que nos cerca,do que àquilo que dizemos. A voz da água que canta, a chama que chora e o vento que move o suspirar das matas, são o respirar de nossos antepassados.

Por isso, repita a cada dia o juramento que diz que nosso destino está atado à lei, e o destino dos mortos que não morreram ao respirante espírito que lhes é mais forte, Estamos presos à vida por esta dura lei e por este juramento estamos atados aos feitos do respirar que hoje cessa, tanto na cama como no leito do rio. Aos feitos do respirar que oscila, à rocha que geme e à grama que chora

Aos feitos da respiração que cessa, à sombra que ilumina e aprofunda à árvore que treme e na madeira que chora à água que corre e à água plácida, Aos respirantes espíritos que nos são mais fortes e que levaram a respiração dos mortos imortais, os mortos que nunca nos deixaram e que não estão sob a terra.Ouçamos mais ao que nos cerca, do que àquilo que dizemos. A voz da água que canta, a chama que chora e o vento que move o suspirar das matas, são o respirar de nossos antepassados.Nossos mortos nunca morreram."


Birago Diop - poeta senegalês.


Entre o povo Iorubá exite um provérbio que diz mais ou menos o seguinte: " nós que hoje aqui estamos de pé, estamos sobre os ombros dos nossos antepassados."



Os meus respeitos a todos os meus ancestres.

Um mundo americano - bastante republicano




Visitando o Blog de uma querida aluna, Lívia, me deparei com esse mapa. Curioso.
Lívia .... muito obrigado

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Para o meu irmão





Meu querido irmão, Luis Ifabiyi Simas, montou um novo blog sobre a religião de orixa. Aos interessados segue o endereço: Ifabiyi.blogspot.com. Como tudo que o careca faz, só temos textos da mais alta qualidade. Que com a benção de ifá e bogbo orixá, ele continue a escrever.
Ifa beo

sábado, 16 de agosto de 2008

REAPROVEITAMENTO DE ÓLEO VEGETAL

Este texto foi copiado do blog do meu parceiro Diego Moreira. Quando fui passear pelo subúrbio deste gentil amigo, me deparei com esse texto. Há muito havia prometido aos meu alunos informações sobre o assunto.

Valeu Moreira!!!


Todo mundo já se perguntou o que fazer com aquela sobra de óleo de cozinha usado para frituras em casa. Reaproveitar para novas frituras não é a solução mais saudável, especialmente para quem tem problemas com colesterol ou para quem não quer tê-los. Por isso a melhor alternativa pode estar na reciclagem. Difícil? Nem um pouco.Você pode armazenar a sobra de óleo vegetal em recipientes e ele é recolhido por coperativas especializadas neste trabalho. A iniciativa é louvável pois além de contribuir para a redução do despejo do óleo nos rios, lagoas e mares, tem a contrapartida social de geração de empregos para uma população de baixa renda.O velho ditado que diz que a união faz a força é mais do que válido nesse caso. Isso porque para que as cooperativas busquem o óleo é preciso que haja uma certa quantidade reunida. Por isso o Programa de Reaproveitamento de Óleo Vegetal (PROVE), desenvolvido aqui no Rio de Janeiro, já iniciou o processo de certificação de restaurantes, escolas e condomínios.Quem mora em prédio ou casa de vila tem, portanto, uma oportunidade de participar desse projeto. Basta ligar para o Disque-Prove (21-2598-9240) e obter as informações sobre como participar. Porque solidariedade com o meio ambiente é fundamental. Abraços!
Por Diego Moreira

terça-feira, 5 de agosto de 2008

SALGUEIRO

É com muito orgulho que coloco neste pequeno e pouco visto blog, o samba dos meus irmãos de corimba. Dia 16 de Agosto, dia em que comemoro meu aniversário estarei na quadra, cantando com orgulho o samba destes dois gênios.

GRES Acadêmicos do Salgueiro - Carnaval 2009
TAMBOR
Presidente: Regina Duran
Carnavalesco: Renato Lage

Autores: Edgar Filho, Simas, Beto Mussa,
Gari Sorriso, Bené do Salgueiro
Intérprete: Rhichahs
Canto uma herança
da humanidade primordial
de árvores tombadas um tom grave
deu a cadência original
a idéia de um gênio anônimo
meu ancestral
caçador que na mata uma fera enfrentou
quando sua vitória quis anunciar
pôs o couro esticado, bateu, repicou
ôô ôô, ôô ôô
Festa na aldeia
lua cheia, um clarão
tem batuque a noite inteira
é magia, adoração
De ocidente a oriente
em diferentes formas se multiplicou
Qual é o povo
que não bate o seu tambor
Quem cruzou o mar
encontrou um som guerreiro
e desde então o baticum não quer parar
zambê, zabumba, ilu-abá
angoma, tumba, candongueiro
batá-cotô no meu terreiro
põe na roda o tambozeiro
o Brasil nasceu de mim
inclusão, cidadania
furiosa bateria
coração que bate assim
Menina, quem foi teu mestre?
um batuqueiro
que arrastava
o povo do Salgueiro

quarta-feira, 23 de julho de 2008

ENEM


Ao analisarmos as provas do ENEM, no últimos 10 anos, fica fácil observar a importância do conhecimento Geográfico para resolução das questões propostas pela banca. Isto é reflexo da própria natureza da Geografia como ciência e do objetivo da prova ( interdisciplinar). A ciência geográfica ao estudar o espaço como categoria de análise da sociedade, envolve uma série de conhecimentos que estão presentes em outras ciências como a Biologia, Ecologia, Economia, Cartografia, e a História dentre outras, ou seja, o conhecimento Geográfico apesar de categorias e conceitos específicos, permite uma abordagem interdisciplinar que é inerente ao pensamento geográfico. Como entender a realidade espacial sem articular os diferentes atores que agem, modificando o espaço?


Em 1998, 15 questões envolviam direta ou indiretamente a Geografia; em 99 foram 22; em 2000 foram 20; 2001 temos 25 questões, 2002 são 22; 2003 temos o expressivo numero de 27 questões; 2004 são 21 questões, 2005 aparecem 19; 2006 o recorde de 30 questões e finalmente 2007 com 22 questões.


População, Energia, Transporte, Globalização são temas comuns na prova do Enem. Entretanto questões envolvendo a Geografia física e aos impactos ambientais predominam, agrupando conhecimentos tanto da Geografia como da Biologia. Outro ponto que dever ser destacado é constância de questões que abordam a Cartografia, tema esse muitas vezes esquecido em outros exames. O exame do Enem prioriza a capacidade interpretativa e reflexiva do aluno, utilizando de textos, gráficos e tabelas em suas questões, por isso, é comum encontrarmos questões envolvendo temas geográficos e conhecimentos básicos de estatística e matemática.

Seguindo a tendência dos exames anteriores podemos pensar em alguns temas, sempre de forma interdisciplinar e priorizando a temática nacional.

1 – Globalização

  • A questão cultural - o conflito com o islâmico, a existência de uma cultura global e ao mesmo tempo a manutenção dos valores culturais locais. A xenofobia e as restrições migratórias cada vez mais rígidas impostas as populações dos países periféricos;
  • O papel dos órgãos internacionais ( FMI, BIRD, OMC...) como elementos difusores do liberalismo e da própria globalização;
    Formação de blocos econômicos regionais, com destaque as diversas iniciativas de integração da América Latina. O papel de países como Brasil, Argentina, Venezuela, Chile e México, no contexto geopolítico local e global apontando os interesses comuns e conflitos existentes;
  • A revolução da informação, novos comportamentos de consumo ou mesmo sociais ( relacionamentos via rede; o isolamento da realidade através da rede e de jogos on-line )
    A revolução dos transportes que possibilita o aumento das trocas comercias a nível global, bem como aumento do fluxo de pessoas, que por sua vez pode contribuir para difusão mais rápida de doenças (vírus). Por outros lado a existência de uma rede global de comunicação possibilita uma maior cooperação científica, o que por sua vez contribui para a descoberta de curas e a difusão novos tratamentos;

2 – População/migração

  • As recentes mudanças no quadro populacional brasileiro - a queda expressiva da taxa de fecundidade; o país cada vez mais urbano; o aumento do consumo das classes C e D, o aumento da expectativa de vida, a diminuição do ritmo de crescimento da população;
  • A evolução das relações de trabalho no Brasil, do trabalho escravo ao trabalho informal urbano;
  • O fato do Brasil ter ganho posições do Ranking do IDH ( fruto da melhoria das condições de vida e da mudança nos critérios de análise dos dados );
  • O papel do negro na sociedade brasileira, a contribuição das culturas de origem africana na constituição da identidade e cultura nacional. O origem das populações negras que foram trazidas durante a escravidão, as características culturais e a organização dessas sociedades;
  • Os 100 anos de migração Japonesa e a situação dos dekasseguis

3 – Energia

  • As relações existentes entre a questão energética global e a elevação do preço dos alimentos. As implicações sociais, ambientais e geopolíticas que envolvem a temática energética; ( leia o post anterior)
  • A questão nuclear – a energia nuclear que no passado era vista com uma grande vilã pelos ambientalistas, hoje, em função do agravamento do efeito estufa, começa a ser vista com outros olhos;
  • O aumento do preço do petróleo, contribuindo para o aumento do esforços no desenvolvimento de combustível de origem vegetal, o biocombustível. O programa americano e brasileiro de biocombustível, os impactos destes programas sobre os espaço agrário e ambiental nesses países.

4 – Ambiental

  • efeito estufa, chuva ácida, inversão térmica, poluição do ar, ilha de calor – relacionando esses problemas ambientais a qualidade de vida nas metrópoles, a incidência de doenças respiratórias e os impactos sociais em escala local e global;
  • O debate envolvendo os impactos sócio-ambientais e econômicos do programa de transposição das águas do Rio São Francisco;
  • A questão da água. Em breve, a redução da disponibilidade de água potável tende a fazer com que este bem essencial se encaixe nesta categoria, aumentando a sua importância econômica e geopolítica. Se a nossa forma de utilização dos recursos hídricos se mantiver, a água potável será o recurso natural mais disputado no planeta e quem sabe um novo commodity? Uma grande quantidade de países já vivem problemas de escassez relativa e absoluta, com destaque para os países africanos do Magreb e os estados do Oriente Médio ( onde o petróleo é a principal riqueza, seguida pela água.... até quando?);
  • A utilização e a importância do aqüífero Guarani

5 - Amazônia

  • O avanço do desmatamento na Amazônia, fruto da expansão da agricultura ( principalmente da soja), da pecuária, das madeireiras, dos projetos de mineração e da própria urbanização. Os efeitos locais e globais do desmatamento.
  • A questão indígena, principalmente na amazônia, a demarcação das reservas; os conflitos com agricultores e garimpeiros; o papel de Ongs, a visão das forças armadas, e as possíveis ameaças a soberania brasileira sobre a região.


6 – Questão urbana

  • A violência urbana, a segregação espacial, o crime organizado, a espaços onde o tráfico e mesmo milícias se territorializaram, onde a atuação do Estado é restrita.
  • O impacto da violência urbana sobre o quadro populacional
  • O problema do transporte coletivo das grandes metrópoles.

7 – questão cultural e política

  • Os eventos que marcaram Maio de 68. O movimento estudantil, o movimento feminista, o movimento negro ( e suas lideranças ). A revolução sexual, a comunicação em massa ( T.V) e outros.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O quebra-cabeça do Alimentos

Segurança Alimentar, Energia e Meio Ambiente: encontros e conflitos

Anice Afonso Esteves
Claudio Ribeiro Falcão

A questão de segurança alimentar voltou à tona nas últimas semanas, graças às declarações do relator da ONU, Jean Ziegler, quando afirmou que os atuais programas de biocombustíveis representam um crime contra a humanidade. O discurso do representante das Nações Unidas deve ser considerado. Entretanto temos que analisar a problemática de forma mais ampla, observando as diversas contradições que envolvem a temática. São diversos fatores inter-relacionados, como: questão ambiental, o crescimento dos BRICS[1], os programas energéticos alternativos baseados na biomassa e a questão da segurança alimentar, ou seja, o acesso das populações aos alimentos.

É fato que o preço dos cereais tem sofrido um acréscimo. Entre 2007 e 2008, o milho sofreu uma valorização entorno de 30%; o Arroz de 70%; a soja de 80% e o trigo chegando aos 130%. Todos esses aumentos são preocupantes, principalmente o do trigo pela intensidade do acréscimo e pelo fato de ser um cereal insusbstituível na panificação, além de ser consumido em escala global.

O peso destes aumentos sobre os salários vai variar conforme as características econômicas e da composição da cesta básica de cada país. No caso brasileiro, os alimentos representam 32% dos gastos de famílias que recebem até 400 reais e 19% para famílias que ganham entre 1,6 a 2 mil reais. O peso dos aumentos sobre as condições de vida da população mundial é em alguns casos insuportável e inadmissível, principalmente, para a população de regiões importadoras de grãos, como no caso da África subsaariana, onde estes custos superam 60% da renda.

E quais seriam os fatores que contribuem com este quadro de encarecimento dos grãos? Os analistas tendem a colocar a problemática como uma simples questão da velha lei da oferta e procura. O debate, ao que parece, é mais amplo e não somente quantitativo, mas também qualitativo. Se analisarmos somente o problema sob a ótica do crescimento populacional e do consumo, corremos o risco de ressuscitar velhas teses Malthusianas[2]. Portanto, devemos destacar tanto os pontos quantitativos como os qualitativos envolvidos.

O crescimento da demanda por alimentos na China e na Índia (2,3 bilhões de habitantes). No caso chinês não é o simples acréscimo populacional, mas também o aumento do consumo de carne, que é uma tendência mundial. São necessários mais de 6 quilos de grãos para produzir um quilo de carne, por isso o aumento do rebanho bovino exerce uma pressão sobre a produção e o preço dos grãos.

A elevação do preço do barril do petróleo (superando os 120 dólares), o que contribui para o aumento do custo do transporte e do preço dos fertilizantes. Curiosamente chegamos a um paradoxo, pois a alternativa mais próxima e viável para substituição parcial ou integral do petróleo, são os biocombustíveis, sendo estes apontados como os grandes vilões.

Hoje 10% da produção mundial de milho são destinados a produção de biocombustível. Nos EUA, maior produtor de biocombustível do mundo, um terço da área de produção de milho abastece a indústria do etanol, lembrando que a colheita norte-americana representa 54% da produção mundial, algo em torno de 15% do milho que alimenta o planeta virou energia. A receita agrícola América foi recorde: 85 bilhões no ano passado, impulsionado pelos incentivos governamentais na área do etanol. Os agricultores americanos cada vez mais encaminham a sua produção para o setor energético, em detrimento do mercado alimentar.

Nas circunstâncias atuais o programa brasileiro de álcool contribui com a alta dos preços? Não. Apesar dos esforços de governos e empresas comprometidas com a economia do petróleo, não podemos culpar o Brasil, pois o mesmo ocupa menos de 1% da área agrícola com a produção de combustível à base de cana. Entretanto, devemos estar atentos ao modelo de expansão da produção de biocombustível, tanto o Proálcool, como o programa nacional de produção biodiesel, para que não contribuam com a escassez de alimentos e a elevação dos preços.

Podemos falar em mudanças climáticas? Tendo vista, que estima-se para este ano que a produção mundial de grãos alcance os 2,16 bilhões de grãos, a maior de toda a história. É certo que algumas áreas tiveram sua produção afetada por mudanças ambientais recentes, entretanto a produção global de grão manteve-se em alta. Certamente, os ganhos de produtividade oriundos do uso de novas tecnologias aplicadas à agricultura, como os OMGs[3] (organismos geneticamente modificados), influenciaram nesta realidade.

Enfrentamos um dilema. A necessidade do crescimento da produção de grãos, seja para fins energéticos ou alimentares, obriga a expansão da produtividade e gera uma pressão pelo aumento da área de cultivo. O que nos leva a crer, que as áreas florestais se encontram cada vez mais ameaçadas. Basta observar o avanço da soja na região amazônica, contribuindo com o desmatamento e com possíveis mudanças climáticas globais que por sua vez, tendem a comprometer a produtividade agrícola, exigindo um aumento da produtividade e da área de produção.

Com toda a controvérsia que envolve os OMGs, não será que a atual crise acabe reforçando os argumentos dos defensores desta opção tecnológica para agricultura, apesar das incertezas ainda existentes?

Finalizando a questão é mais complexa do que a imprensa ou determinados setores tentam apresentar. O debate esta em aberto.


[1] BRICs- Termo criado pelo grupo Goldman Sachs, para designar as economias emergentes - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. As atenções internacionais cada vez mais se voltam para esses países, pois a capacidade de crescimento, os seus mercados, e a forma que estes lidam com o seu quadro natural, são fundamentais para definir o futuro global.
[2] As teorias Malthisianas buscam relacionar o crescimento populacional aos problemas alimentares, de desenvolvimento e até mesmo ecológicos, privilegiando uma análise quantitativa, e não qualitativa. Deixando de observar características históricas, teconológicas, sociais e humanas,que envolvem estes problemas..
[3] Os OMGs são o resultado da evolução técnicas denominadas de melhoramento genético. No inicio dos anos 70 teve início uma revolução científica quando a biologia molecular criou a chamada engenharia genética, permitindo a manipulação de genes de qualquer espécie permitindo assim alterar as características dessas espécies. O debate sobre o uso dos transgênicos, os seus impactos sobre o ambiente e a saúde humana ainda estão abertos.

 
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